A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 30/10/2020

O filme “Uma mente brilhante” retrata a vida do matemático John Nash que é diagnosticado com esquizofrenia, mas supera a doença com o apoio da esposa e num discurso em público dedica-lhe esta frase: “É somente nas misteriosas equações do amor que qualquer lógica ou razão pode ser encontrada. Você é a razão de eu estar aqui hoje, você é razão de eu existir, você é todas as minhas razões”. Fora da sétima arte, infelizmente, os sofredores de transtornos mentais não tem muito a quem se apoiar, visto que a falta de suporte do Estado e a omissão da sociedade fazem com que eles sejam uma categoria invisível.

De início, observa-se um desleixo do Estado quanto a essa problemática, pois  segundo o Ministério da Saúde, a previsão orçamentária para a área de saúde mental em 2019 é menos de 1,5% do orçamento total da pasta para atuação nesse ano, ou seja, investimentos muito abaixo do esperado contra os aumentos dos transtornos mentais que são registrados. Historicamente, as ações relacionadas aos doentes mentais, no país, foram delegadas à assistência social, com ausência de debates técnicos e pouca produção de conhecimento, concentradas apenas no diagnóstico e medicação.

Também, destaca-se a falta de auxílio efetivo da sociedade, que compreende o âmbito familiar, comunitário e até os donos de clínicas particulares, os quais cobram altos valores para tratamentos, com visão no lucro, sem garantia de acesso de muitos. Além disso, a Lei de Reforma Psiquiátrica (Lei 10.2016 de 2001), enumera como um dos direitos previstos para o portador de enfermidades cerebrais a terapia preferencial em serviços coletivos de saúde mental, ou seja, no lugar do isolamento, o apoio familiar, pois as doenças da mente também são um problema social.

Percebe-se, portanto, que grande quantidade de problemas de saúde psíquica são igualmente preveníveis e tratáveis, e a sua desassistência, provenientes do aumento da duração dos transtornos acabam por superar os custos diretos. Assim, torna-se necessário que o Poder Executivo, destine verbas suficientes para o setor a fim de que os Hospitais possam comprar melhores equipamentos e remunerar adequadamente os médicos e enfermeiros, que em contrapartida terão mais satisfação em cuidar dos doentes. Além de investimentos na produção de conhecimentos científicos, são necessárias implantações de medidas de apoio ao paciente e à família, e o oferecimento de atendimento psicossocial em escolas e espaços comunitários.