A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 09/04/2019

Casos de doenças associadas aos distúrbios mentais aumentaram nos últimos 25 anos segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde, atingindo 300 milhões de pessoas no mundo todo. No Brasil, há uma Política Nacional de Saúde Mental que compreende estratégias para dar assistência às pessoas que precisam de tratamento. Porém ainda existem barreiras como o preconceito e a falta de informação que alertam para a necessidade de debate sobre distúrbios mentais.

Em primeiro lugar, deve-se destacar que o debate sobre doenças mentais é importante para diminuir o preconceito sobre o tema. Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Saúde, existem 11 milhões de pessoas diagnosticadas com depressão ou ansiedade no Brasil atualmente e, além disso, estima-se que a cada 100 pessoas 30 delas tenham ou terão algum problema relacionado à saúde mental. Entretanto, a discriminação ainda é uma grande barreira para o entendimento de que qualquer pessoa pode desenvolver essa condição, pois ainda existem falsos conceitos que colocam a culpa da doença no próprio enfermo, provocando alguns julgamentos e a marginalização de quem sofre com essas doenças. Dessa forma, é necessária a discussão sobre as doenças mentais para atenuar as atitudes discriminatórias contras as pessoas  que sofrem com esses transtornos.

Além disso, é importante ressaltar que a elucidação dos distúrbios mentais pode contribuir com o controle e tratamento de outros problemas de saúde pública. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, a falta informação sobre os sintomas associados às desordens mentais juntamente com o preconceito existente dificultam o diagnóstico precoce e, consequentemente, um tratamento adequado. Fatores como o estilo de vida, a alimentação, a genética, depressão e ansiedade aumentam o risco de câncer, derrames, AVC e doenças autoimunes segundo o Ministério da Saúde, ou seja, negligenciar o tratamento de distúrbios mentais pode desencadear problemas de saúde física. Sendo assim, é preciso o desenvolvimento de programas que esclareçam sobre a importância de identificar e tratar os transtornos mentais precocemente para diminuir os riscos de outras doenças físicas.

Diante desses aspectos expostos, é substancial que o Governo Federal e o Ministério da Saúde atuem, por intermédio de uma campanha nacional veiculada nos principais meios de comunicação como a televisão, a internet e os jornais para conscientizar e educar as pessoas sobre transtornos mentais, visando diminuir o preconceito. Ademais, é preciso o desenvolvimento ações voltadas para a prevenção e o diagnóstico precoce, por meio da atuação de unidades móveis dos Centros de Apoio Psicossociais (CAPs) com oficinas informativas, aulas de meditação e terapias alternativas. Assim, a discussão sobre os distúrbios mentais poderá contribuir com  a prevenção e quebra de estigmas.