A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 17/08/2019
Durante a Reforma Sanitária, na década de 70, se desenvolveu a Reforma Psiquiátrica, a qual garantiria o fim dos abusos aos Direitos Humanos dentro dos manicômios. No entanto, mesmo com o fim desses abusos, parte significante da sociedade encara as doenças mentais como loucura e apresenta resistência aos tratamentos. Diante disso, valida-se a discussão acerca da necessidade de debater as doenças mentais mais intensamente devido a negligência governamental dada a problemática, acarretando o aumento dos doentes sem tratamento adequado.
Em primeira análise, a escassa atuação do Estado para garantir os cuidados à saúde mental da população é um dos principais contribuintes para permanência do tabu e da evolução da doença que, em vista disso, apresenta um frequente aumento. Nesse ínterim, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), o Brasil contabiliza centros especializados em doenças mentais em apenas 11 estados, além de não oferecer tratamentos suficientes em medicamentos para cuidar de mais de 11 milhões de depressivos e quase 19 milhões de ansiosos no país. Em vista disso, fica explícito que os trabalhos de suporte aos indivíduos portadores de transtornos psicológicos ainda são deficientes, haja vista a falta de iniciativas para o bem-estar desses pacientes.
A posteriori, em consequência da insuficiência das iniciativas do Poder Público, a população não obtém os cuidados psicológicos necessários, e com isso, o número de indivíduos com doenças mentais permanece crescente. Nessa perspectiva, estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostraram que os casos de depressão aumentaram mais de 18% no mundo e, no Brasil, cerca 5,8% possuem a doença e lidera o “ranking” na América Latina. Destarte, a sociedade não é abarcada por uma esfera de saúde plena, principalmente voltada para os cuidados psicológicos, evidenciada não só pela escassez de suporte eficiente, mas pelo progressivo aumento das doenças associadas.
Depreende-se, portanto, que o debate das doenças mentais apresenta entraves que precisam ser sanados. Assim, é fundamental que o Poder Público, juntamente com o MS e a OMS, invista financeiramente na promoção de centros de cuidados especializados, contendo profissionais integrados de saúde (médicos, psicólogos, educadores físicos e nutricionistas) em todos os estados, voltados aos civis com transtornos psicológicos, bem como expandir a educação cidadã por meio de propagandas engajadas capazes de desconstruir as visões errôneas sobre as doenças. Tal medida, aparece com o intuito de viabilizar os cuidados mentais da sociedade e reduzir a evasão aos debates sobre as doenças psicológicas.