A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 07/05/2019

A ansiedade, definida como o “mal do século” pelo psiquiatra Augusto Cury, pode acometer a todos. O problema, no entanto, é quando ela é banalizada e não tratada como a causa de doenças mentais. Esse fato tem crescido entre a geração contemporânea e, acrescenta-se, até levado jovens ao suicídio. Por isso, é necessário discutí-las em âmbito nacional e reiterar crianças e adolescentes às dificuldades de se viver em conjunto no século XXI.

No romance " O primo Basílio" de Eça de Queiroz, Luísa, por não conseguir enfrentar a realidade e pressão devido aos seus atos, definha mentalmente até a morte. Da mesma maneira, atualmente, as pessoas vêem-se cada vez mais em situações de escape e são acometidas por distúrbios psíquicos que podem ter fins drásticos em casos de depressão profunda. De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 20% dos jovens do mundo sofrem da doença. Assim como a personagem no livro, as pessoas enfrentam dificuldades em lidar com as mudanças constantes do mundo e acabam por deixar a mente ser afetada. Consequentemente, formam-se jovens incapazes de lidar com as adversidades da vida e as várias opções existentes para se seguir.

O sociólogo Zygmunt Bauman nomea o tempo atual como “modernidade líquida”, porque as pessoas não conseguem mais se definirem ou se conhecerem. Elas mudam de “forma” a todo instante, bem como um líquido. Esse fato, então, tem causado sérios problemas de depressão, defícit de atenção e síndromes relacionadas a medos e, principalmente, a ansiedade. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a venda de medicamentos para TDH ( transtorno de déficit de atenção) aumentou em 61% no país e, de acordo com o mesmo, o suicídio é a quarta causa de morte entre jovens brasileiros. O que demonstra, por conseguinte, a urgência em divulgar à sociedade os problemas que as doenças mentais podem causar e formas de tratá-las.

A necessidade de discutir e conhecer os distúrbios relativos à mente é, portanto, indubitável. O governo em associação ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) devem criar livros que retratem e exemplifiquem as principais enfermidades psíquicas. Esses podem ser distribuídos nas escolas e, também, serem utilizados em palestras destinadas a encontros de bairros realizadas por psicólogos. Os órgãos educadores sob o comando do Ministério da Educação precisam organizar e acrescentar ao currículo escolar aulas que introduzam os jovens às situações do cotidiano como entrevistas de emprego, mercado de trabalho e, ademais, o que fazer no tempo livre. Dessa maneira, forma-se uma geração consciente do mundo ao seu redor e, assim, diminui-se a ansiedade e incapacidade em lidar com a vida como ocorreu à personagem Luísa na ficção.