A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 08/06/2019
Na obra cinematográfica “O mínimo para viver” é destacado o processo de tratamento da protagonista Ellen, a qual sofre de transtornos alimentares. Tal contexto, fora do ambiente ficcional, evidencia a preocupante e recorrente incidência de doenças mentais na sociedade. Sob esse viés, é insatisfatório o reconhecimento civil e midiático quanto a importância do debate dessa temática. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados, com o escopo de alterar essa adversa conjuntura.
Em verdade, é notória a omissão da comunidade na discussão acerca das doenças mentais, corroborando, em contrapartida, a intensificação dessa condição de saúde por meio de atitudes cotidianas. Nesse sentido, observa-se que é excessiva a cobrança sobre os indivíduos por bons resultados, seja na faculdade, seja no trabalho e a despreocupação com o bem-estar e a felicidade desses, caracterizando, segundo o filósofo Byung-Chul Han uma “sociedade desempenho”. Em face disso, essa situação resulta uma auto-exploração seguida do desgaste físico e emocional, propício a quadros ansiosos, os quais prejudicam decisivamente a vivência e a harmonia em comunidade.
Ademais, é evidente a negligência da mídia nessa questão, principalmente, diante dos distúrbios alimentares. Nessa perspectiva, verifica-se a ampla divulgação e culto aos padrões de beleza estereotipados, sobretudo em comerciais e novelas, em detrimento da importância e da individualidade de cada ser. Consequentemente, esse contexto propicia baixa autoestima e comportamentos anômalos resultantes de danos ao psicológico das pessoas, como bulimia e anorexia, semelhante ao retratado em “O mínimo para viver”, associado também à depressão, ratificando, assim, a necessidade desse debate na comunidade.
Destarte, é essencial destinar a devida atenção às doenças mentais na comunidade. Para tanto, é impreterível que a família, mediante diálogos frequentes, aborde a temática e demonstre apoio aos indivíduos, enfatizando a importância do bem-estar e da saúde mental nas atividade cotidianas, com o fito de reduzir os casos de ansiedade e possibilitar um ambiente diferente daquele pensado por Byung-Chul Han. Concomitantemente, é imprescindível que a mídia insira nos conteúdos diários a valorização do próprio indivíduo em relação aos padrões estéticos e tematize nas novelas as doenças mentais, com transtornos alimentares, a fim de alertar a população e possibilitar um maior alcance à procura por ajuda.