A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 22/08/2019

O sociólogo Durkheim postulou o termo anomia social para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica a questão das doenças mentais. Nesse sentido, é notória a banalização dessas síndromes psicológicas por meio de brincadeiras, o que, não raro, deslegitima a importância de compreender tais patologias. Ademais, a falta de conhecimento a respeito do assunto gera preconceito, fato que prejudica o tratamento do quadro psíquico. Por isso, é de suma importância que haja medidas para reverter essa situação.

Nesse contexto, segundo a Organização Mundial da  Saúde, o Brasil tem o maior número de casos de depressão e ansiedade da América Latina. Tal dado, tem como uma de suas causas a trivialização de termos relacionados a essas psicopatologias, a exemplo, tem-se páginas de humor que tratam esses temas de maneira irrelevante. Não raro, a associação de transtornos psicológicos como: esquizofrenia, depressão e bipolaridade são relacionados a fatos corriqueiros - com devaneios em relação há algo, tristeza pontual ou mudanças de humor- faz com que o ser acometido pela doença e as pessoas a sua volta vejam a situação de forma despreocupada. Assim, é necessário empatia e esclarecimento da sociedade acerca do assunto para que haja acolhimento e tratamento adequado.

Nesse viés, é comum haver a “Psicofobia”, ou seja, aversão aos portadores dessas síndromes. Por consequência, corrobora para o não tratamento do indivíduo, pois este sente-se reprimido em utilizar os medicamentos ou fazer terapias por receio do prejulgamento. Dessa forma, a falta de conhecimento prejudica o bom andamento da comunidade, já que por vezes há preconceito no momento da contratação empresarial e com isso pode agrava o quadro não apenas individual, mas social. Porque de acordo com o Fato Social de Durkheim, a sociedade é como um organismo vivo, se algo não vai bem isso afetará o todo. Tão logo, é primordial que quebre-se esteriótipos sobre tais doenças, para perceber que não há anormalidade nessa situação.

Portanto, faz-se necessário que o Estado atue por meio do Ministério da Saúde aliado ao MEC, para que através de campanhas veiculadas nas mídias exiba a relevância de tratar doenças mentais com seriedade. Somado a isso, palestras e debates nas instituições de ensino comandadas por psiquiatras e psicólogos auxiliarão a fomentar a empatia no corpo social e mostrá-lo a importância de reconhecer essa situação como algo a ser tratado com ajuda profissional. Ademais, é imprescindível que o Ministério do Trabalho crie cotas nas empresas para contratação de pessoas com essas síndromes, de tal forma que paradigmas sejam desfeitos e a sociedade conviva em harmonia. Assim, gradualmente, conseguir-se-à a empatia essencial para debater de forma legitima as doenças mentais