A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 01/06/2019

‘‘Holocausto Brasileiro’’ é o título do livro da jornalista Daniela Arbex, lançado em 2013. Na obra, a autora narra os horrores existentes no maior hospício do país, o hospital de Barbacena, em Minas Gerais. Naquele contexto, período em que a saúde mental não recebia atenção, internos eram tratados à base de eletrochoque e sofriam maus-tratos daqueles que deveriam contribuir para seu bem-estar. Nesse sentido, ao traçar um paralelo com a atualidade, na dinâmica cada vez mais veloz do mundo moderno, nota-se a necessidade de debater as doenças mentais. Desse modo, é lícito afirmar que a discussão saudável a respeito dessas enfermidades é prejudicada pela ineficiência governamental, além da omissão da escola em trazer assuntos dessa natureza para a sala de aula.

Em primeira análise, é preciso reconhecer que em decorrência da ausência de medidas por parte do poder público, o debate sobre saúde da mente é enfraquecido, o que leva muitas pessoas a considerar doenças como depressão e transtorno de ansiedade como ‘‘fraqueza’’. Em parte, atribui-se esse fato a uma marginalização histórica que o assunto sofre por parte do Poder Executivo, que ignora, há décadas, as estatísticas alarmantes de enfermidades dessa natureza no Brasil. Conforme pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde em 2018, 6% dos brasileiros - total de 11,5% da população - sofrem com depressão. Fica evidente, portanto, a extrema ineficácia do atual sistema em trabalhar para reduzir esses dados e, além disso, educar a sociedade sobre o tema.

Ademais, o omisso ambiente escolar, que foca no ensino tradicionalista e não leva os alunos, especialmente os adolescentes, a compreenderem como funcionam as doenças mentais, também é parte responsável pelo debate. Nesse sentido, casos como a falta de ações como palestras ministradas por psicólogos e inserção de disciplinas sobre o bem-estar da mente, em sala de aula, seriam uma forma de perpetuar a desinformação entre os jovens. Em outras palavras, o modelo tradicional de escola mostra-se aquém do que se espera: formar sujeitos informados e aptos a agirem de forma responsável ao lidar com doenças mentais, seja em si próprio, seja no outro.

Entende-se, desse modo, que o Estado e a escola devem executar medidas a respeito do debate sobre enfermidades mentais. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve - a fim de facilitar o acesso à profissionais da área e reduzir os índices de doenças da mente no país - realizar, por meio de concurso público, a contratação de psicólogos e psiquiatras. Tais profissionais devem ser alocados em postos de saúde e hospitais de grande e médio porte em todos os estados do Brasil. Além disso, com o intuito de educar e estimular o debate sobre saúde mental, o Ministério da Educação deve inserir tópicos, seminários e palestras sobre saúde psicológica no currículo do ensino fundamental II e médio.