A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 22/06/2019

Adaptação ao tema: Doenças psicossociais no Brasil

Herança verde-amarela

À mercê do cenário racional-desenvolvimentista do século XVIII, o movimento iluminista firmou, como um dos seus maiores legados, a previsão de um futuro cujo bem estar singular humano seria um pilar concretizado face aos avanços técnicos. Antagônico a isso, a atual eclosão brasileira de doenças psicossociais expõe a fragilidade da díade poder público e sociedade civil em legitimar medidas profiláticas ao âmbito — pondo em xeque premissas do século das luzes. Impende, pois, um olhar maior de enfrentamento à causa.

Em primeiro plano, é coerente frisar que a defasagem no desenvolvimento psicológico adequado pode ser resultado de um conjunto de heranças negativas proporcionadas pelo meio social. Acerca disso, o pensador Paulo Freire, por meio da obra ‘‘Pedagogia do Oprimido’’, afirmou que fenômenos mentais, como a depressão, podem ser frutos de marcas e entraves pejorativos na infância de um indivíduo, vide o bullying. Dessa forma, é evidente que, enquanto não houver ação de agentes sociais para atenuar tal problemática, um pilar essencial à vida estará fadado ao declínio: a saúde mental.

Ademais, a perpetuação de enigmas psicológicos entre os diversos personagens da sociedade é reflexo de um poder público negligente ao combate desse artefato. Isso se evidencia, contudo, por uma coluna midiática exposta pelo ‘‘Jornal O GLOBO’’, na qual afirma que, embora promulgado e influenciado pelo Ministério da Saúde, ainda é insuficiente a participação de médicos psiquiatra e psicólogos nos principais hospitais do Brasil. Dessa forma, é paradoxal que, mesmo em Estado Democrático de Direito, maior país da América Latina ainda seja insensível com pautas de tamanha importância.

Depreende-se, portanto, inevitável a adoção de condutas que tenha como fim a atenuação de doenças psicossociais no território verde-amarelo. Compete, assim, à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) enfatizar, em todas as escolas do país, a intensificação do estudo de doenças psicossociais, a fim de construir cidadãos mais transigentes e preparados emocionalmente. Ao Ministério Público, por sua vez, convém aumentar o número de agentes fiscais, que garantam à população a plena participação de psiquiatra e psicólogos nos diversos postos de saúde e hospitais do Brasil. Por conseguinte, construir-se-ia uma nação com maior integridade psicológica e que, assim, faria jus aos legados propostos pelo Iluminismo.