A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 08/07/2019
Noite Estrelada, pintura pós-impressionista de Van Gogh, é a representação de uma noite cheia de estrelas enormes e brilhantes, que transmite serenidade e perfeição. Entretanto, tal obra é um verdadeiro paradoxo ao refletir sobre o cenário coevo à sua criação, a janela de um quarto em um hospital psiquiátrico, no qual Van Gogh foi diversas vezes internado. Nesse sentido, o quadro surge como um espelho da sociedade brasileira hodierna, aonde as doenças mentais acotovelam-se enquanto as dores sentimentais são camufladas. Diante disso, emergem como principais desafios dessa problemática; a ineficácia do Estado em fornecer segurança econômica frente as pressões de uma sociedade capitalista, bem como o poder nocivo das redes sociais à saúde psicológica. Precipuamente, a idéia de saúde mental, na época atual, está diretamente relacionada à capacidade de prover o sustento familiar. Atrela-se ao exposto, o conceito, criado pelo sociólogo Émile Durkheim, de suicídio anômico, o qual se referia ao tipo de suicídio cometido em épocas de grande desespero comunitário, como, por exemplo, em grandes crises. Assim, haja vista a ligação entre suicídio e doenças mentais, tal qual a depressão, a estabilidade financeira é um importante alicerce para o bem-estar psicológico. Conquanto, seja direito constitucional do cidadão brasileiro, a saúde é tratada com descaso pelo Estado, o que fica claro ao refletir sobre os 13,1 milhões de pessoas que figuram o cenário do desemprego em 2019, segundo o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-, os quais levam a sensação de impotência, acentuando as possibilidades de mazelas psicopatológicas. Ademais, os internautas têm seu estado psicológico afetado negativamente ao serem bombardeados com postagens de ‘‘pessoas incríveis vivendo em suas vidas perfeitas’’. Assim, cabe expor os dados obtidos através de uma pesquisa realizada pela Instituição de Saúde Pública do Reino Unido, a qual apontou que o Instagram é a mídia social que mais afeta, de forma negativa, a mente dos jovens, pois, 7 em cada 10 entrevistados já haviam tido problemas de ansiedade, depressão e baixa auto-estima por fazerem uso da rede. Eis a manifestação da maior idiossincrasia inerente à humanidade, a necessidade de adaptação, característica evolutiva, que é posta à prova quando o meio de seleção é a rede social. Urge, portanto, a criação de medidas que visem atenuar o número de pessoas com deficiências mentais. A criação de campanhas que incentivem o uso regrado das redes sociais, bem como a criação de postos de trabalho, são ações que podem ser realizadas pelo Ministério da Saúde e Ministério do Trabalho respectivamente, o último, em parceria com empresas privadas, poderia fornecer incentivos fiscais para aquelas que fornecessem cargos extras. Dessa forma, o virtual e o capitalismo deixariam de figurar, na contemporaneidade, a janela atrás da qual as psicoses de Van Gogh prevaleciam.