A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 19/07/2019
O filósofo Arthur Schopenhauer dizia ser constantemente “atormentado por demônios”, o que, segundo ele, justificava à sua falta de interesse pela vida. Porém mais tarde descobriu-se que Schopenhauer, na verdade, sofria de depressão, uma doença mental que causa a falta de interesse pela vida. Atualmente, as doenças mentais atingem milhões de brasileiros e a necessidade de se discuti-las é imprescindível.
Convém salientar, a princípio, que na tese do contrato social de John Locke é dever do Estado zelar pelo estado de bem-estar social da população. No entanto, esse contrato não ocorre na prática, haja vista os ínfimos investimentos governamentais em oferecer à população tratamento gratuito e de qualidade, destinados ao combate das doenças mentais, para aqueles indivíduos desprovidos de condições financeiras, medidas que poderiam contornar parte da problemática, porém devido à negligência do Estado isso não é firmado.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a necessidade emergencial de se discutir as doenças mentais. Um exemplo disso é o impacto devastador que elas causam nos enfermos. A depressão, por exemplo, afeta o corpo e a mente, alterando o processo natural do equilíbrio bioquímico no cérebro, isto é, um indivíduo portador de depressão sofre com a falta de motivação para com coisas simples, como interações sociais, levando ao isolamento, uso de drogas e, em casos extremos, ao suicídio. Nesse contexto, campanhas de conscientização são essenciais no intuito de não só levar o debate à população, mas também de quebrar o preconceito que se têm sobre essas doenças.
É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas. Para tanto, o Ministério da Saúde deve enfrentar o descaso na saúde pública por meio de investimentos na infraestrutura dos postos de saúde e hospitais, bem como na qualificação dos profissionais, sobretudo psicólogos e psiquiatras. Além disso, o governo federal poderia, junto ao Ministério da Educação, criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras e apresentações artísticas lúdicas acerca das doenças mentais, sob a supervisão de psicólogos, uma vez que essas ações culturais coletivas têm um enorme efeito transformador. Em síntese, a partir disso, espera-se fazer com que os doentes mentais não sejam vistos como sujeitos atormentados por demônios.