A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 06/08/2019

Historicamente, no Brasil, pessoas com doenças psiquiátricas eram isoladas do resto da população e inclusive da própria família, isso porque essas enfermidades eram motivo de vergonha. No entanto, mesmo após anos, este preconceito continua a permear na sociedade o que gera como consequência a falta de debates sobre o assunto. Todavia, é de suma necessidade, pois além dos transtornos mentais terem aumentado e serem a causa de milhares de mortes em todo o planeta, autoprovocadas ou não, o governo é negligente no provimento de tratamento adequado à essa população.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS),o Brasil lidera o ranking de transtorno de ansiedade e depressão - com cerca 10% e 6% da população portadora - paralelamente a isso, cresceu em 10,4% a taxa de suicídio global, em que mais de 90% dos casos estão associados aos distúrbios mentais. A depressão, atualmente taxada como o mal do século, é uma doença grave que gradativamente faz com que a pessoa perca ânimo em fazer atividades simples que antes eram prazerosas, em muitos casos, a pessoa deixa de se alimentar, se isola dos outros e quando intensos estes sentimentos,a pessoa cogita o suicídio. Além disso, transtornos de pânico, ansiedade generalizada e bipolaridade também estão mais frequentes no país.

Contudo, apesar da Constituição Federal de 1988, garantir assistência necessária à essa população, na prática esse direitos não são de fato assistidos. Segundo pesquisa divulgada pela OMS, cerca de 80% das pessoas que sofrem de doenças psicológicas não tem acesso ao tratamento adequado. O Sistema Único de Saúde (SUS), do Brasil, não dispõem de psicólogos e psiquiatras nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), logo, é preciso agendar uma consulta, entretanto, o processo é extremamente demorado. Segundo matéria feita pelo Jornal Nacional, os entrevistados relataram que conseguir consultas com médicos especialistas no SUS, pode demorar até mais de 12 meses.

Diante dessas condições, medidas devem ser tomadas. Assim sendo, é preciso que o Governo Federal junto ao Ministério da Saúde (MS), debatam as doenças mentais, por meio de campanhas nas mídias - estas como difusoras de informações -  que demonstrem dados das doenças, suas gravidades e a importância de tratá-las, para que a população tenha conhecimento, não banalizem essas enfermidades e não deixem de procurarem ajuda quando possuí-las, como disse o Dr. Drauzio Varella, se não quiser adoecer, fale dos seus sentimentos. Concomitantemente, cabe também ao governo e ao MS prover tratamento para essas doenças, por intermédio de contratar mais médicos psiquiatras no SUS e aumentar o número de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no país, para que o processo de atendimento seja mais rápido e as pessoas tenham condições efetivas de tratamento.