A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 12/08/2019

Publicado no século XIX, ‘‘O Alienista’’, de Machado de Assis, faz um debate sobre as fronteiras da racionalidade humana. Na obra, o autor questiona os conceitos de normalidade e a criação de esteriótipos formados pela sociedade da época. Nesse sentido, a temática das doenças mentais parece não se limitar apenas ao cenário atual, uma vez que foi relatada há tempos na Literatura. Todavia, essa condição aumentou significativamente na atualidade, em face de fatores culturais e de lacunas na política preventiva. Assim, desconstruir tais obstáculos é essencial na busca pelo bem-estar coletivo .

Em primeiro lugar, essa realidade recai sobre a criação de estigmas. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a falta de conhecimento sobre o assunto é fator que sustenta esse quadro, refletindo na ‘‘psicofobia’’ - preconceito contra indivíduos que têm transtornos e deficiências psicológicas. Consequentemente, esse tipo de ação pode prejudicar de forma drástica o paciente, uma vez que, conforme a Psicóloga Maria de Lourdes, a vergonha de buscar auxílio está relacionada aos comentários preconceituosos por parte da população. Dessa forma, é fundamental que seja veiculada maior informação, via mídias sociais, campanhas esclarecedoras e debates coletivos.

Ademais, a falha nas iniciativas de prevenção configura outro atenuante. Segundo os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), o poder público deve promover ações de promoção, prevenção, tratamento e a reabilitação de patologias. Entretanto, dados públicos da Prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, delataram que o Ministério da Saúde vem deixando de subsidiar as unidades de saúde mental da capital, o que desencadeou na paralisação dos serviços dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Dessa maneira, sem o devido apoio, os indivíduos tendem a abandonar o tratamento, já que os recursos particulares têm custo elevado.

Infere-se, portanto, que o aumento das doenças mentais na atualidade compromete a saúde da sociedade. Logo, para modificar essa conjuntura, cabe ao Estado garantir políticas de tratamento e prevenção, através da estruturação dos órgãos de assistência como o CAPS (capacitação de profissionais e  manutenção dos centros de reabilitação), com a finalidade de garantir o apoio necessário aos pacientes. Além disso, cabe aos meios midiáticos promoverem campanhas de conscientização, com o objetivo de esclarecer a população sobre essa temática, bem como de estimular a busca por assistência. Afinal, como alertou Aristóteles, ’’ não é o debate que é empecilho à ação, mas o fato de não estabelecê-lo antes de agir’’.