A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 14/08/2019
Na segunda fase do Romantismo brasileiro, temas pessimistas, de tristeza e pensamentos mórbidos compunham a beleza da literatura e contribuíram de forma positiva para a arte. Porém, hodiernamente, sabe-se que tais características são sinais de doenças mentais- como a depressão e a ansiedade- e faz-se necessária a sua discussão, uma vez que há falta de aceitação da existência dessas enfermidades e, consequentemente, um aumento nas taxas de doenças desse tipo.
A priori, grande parte da sociedade não aceita a existência das enfermidades mentais. Segundo o escritor inglês Samuel Johnson, a vida em sociedade não existe, senão através de concessões recíprocas. E a aceitação dessas doenças tanto pelas vítimas, quanto por pessoas saudáveis é um ato de concessão. Logo, se isso não acontece, a vida em sociedade é afetada, pois, para que tais doenças sejam tratadas, é necessário que, antes, elas sejam aceitas e reconhecidas, assim como outros tipos de doença.
Posteriormente, se essas doenças não são reconhecidas e tratadas, o número de vítimas aumenta. Isso pode ser visto através de dados da Organização Mundial da Saúde, que mostram uma elevação de 18% do número de casos de depressão entre os anos de 2005 e 2015. Com isso, a realização das tarefas diárias das vítimas é comprometida, pois na perspectiva do poeta romano Juvenal, “mente sã, corpo são”.
Diante dos argumentos supracitados, é dever do Ministério da Saúde, por meio de mídias sociais e propagandas televisivas, divulgar, não só no Janeiro Branco, mas em todos os meses, a respeito dos sintomas, causas, consequências e tipos de doenças mentais, e mostrar que tais doenças debilitam a vítima, assim como qualquer outra enfermidade. Isso, a fim de que haja aceitação da existência de transtornos mentais entre as pessoas. Somente assim toda essa problemática será, paulatinamente, suprimida da sociedade e o pessimismo, a tristeza e os pensamentos mórbidos farão parte apenas do Romantismo brasileiro.