A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 21/08/2019

Na Idade Moderna, as doenças mentais eram associadas à falta de trabalho e as vítimas desses transtornos eram isoladas em manicômios. No atual século XXI, o aumento do índice de doentes mentais aqueceu o debate acerca da permanência da exclusão dos doentes que, muitas vezes chegam à essa condição devido a influência comportamental das redes sociais.

Primeiramente, o fenômeno das redes sociais impulsionou a idealização de padrões de vida e a batalha pelo alcance deste causa, no indivíduo, abalos psicológicos. Em um episódio da série “Black Mirror”, que aborda a futura influência da tecnologia em nossas vidas, a protagonista atinge o estado de loucura por tentar alcançar o modelo de vida ditado no mundo virtual e que, no final das contas, não é real. Paralela ao contexto atual, a série reflete a busca por aprovação social entre os indivíduos - altamente estimulada pelas redes sociais.

Por consequência, o indivíduo afetado mentalmente é excluído por não atender mais as expectativas do sistema econômico capitalista. O pensamento que associa doença mental à falta de trabalho é persistente até hoje, mas, paradoxal à atitude empresarial que rejeita o sujeito doente. Para Karl Marx, criador do socialismo científico, a força trabalhadora que insere valor ao produto, sendo a produtividade do empregado muito importante para o sistema econômico vigente.  Desta forma, o indivíduo que possui abalos emocionais e psicológicos, não corresponde a produtividade necessária sendo, portanto, descartado do mercado.

Conclui-se que é imprescindível a atuação de órgãos públicos e privados na resolução desse impasse. As redes sociais devem abolir os “likes” de modo a amenizar a busca desenfreada por aprovação entre os usuários e redefinir a finalidade dessa ferramenta tecnológica.  Ademais, o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Saúde, deve - através de incentivos fiscais - impulsionar empresas a instalarem centros de atendimento psicológicos que ofertem consultas rotineiras aos funcionários, a fim de humanizar as relações de trabalho. Desta forma, caminharemos para uma posição mais contemporânea sobre as saúdes mentais, abandonando de vez as ideias ultrapassadas da Idade Moderna.