A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 24/08/2019

O livro Holocausto Brasileiro narra as péssimas condições de vida, marcadas por torturas e privações, a que eram submetidas pessoas diagnosticadas com doenças mentais no hospício Colônia. Embora vetusto, tal cenário é pertinente na sociedade contemporânea, haja vista que pessoas que sofrem com algum tipo doença mental ainda enfrentam imbróglios no que se tange ao respeito e a prestação de assistência adequada, seja no âmbito social, de saúde ou familiar. Em razão disso, deve-se atentar à importância da discussão sobre esse tema na esfera coletiva.

Em primeira análise, conforme ideário do filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade trouxe consigo a liquefação das formas sociais, a qual enfraquece os laços das relações interpessoais e gera angústias e incertezas. Somado a isso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, em 2015, foi registrado um aumento de 18% dos casos de depressão. Nesse sentido, não há dúvidas que o estilo de vida da era líquida é responsável pela ascensão da taxa de pessoas afetadas pelos transtornos mentais, visto que a instabilidade que atinge os setores públicos, bem como o consumismo, produz efeitos capazes de desencadear uma patologia.

Por conseguinte, é importante pontuar que é dever do Estado garantir acesso a saúde e bem-estar social. Entretanto, os programas de prevenção e tratamento para transtornos mentais, disponibilizados pela rede pública, atuam como entraves para a efetivação desse direito, uma vez que são insuficientes e incapazes de alcançar a demanda populacional. Essa conjuntura sinaliza a negligência com que é tratado esse problema de saúde pública.

Ademais, é indubitável que a falta de discussão sobre as doenças mentais na sociedade contribui para a tipificação delas sob um ângulo preconceituoso, no qual são tidas como insignificantes e desnecessárias. Desse modo,  percebe-se que muitas famílias distanciam os indivíduos afetados do convívio coletivo, atitude que contribui para situações de abandono e isolamento, capazes de intensificar a proporção do transtorno psicológico desses indivíduos.

Portanto, para reverter essa problemática, é necessário que o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, amplifique os projetos de assistência médica e psicológica em escala proporcional à demanda, de modo que todos os cidadãos tenham acesso a serviços de saúde, como terapias e círculos de conversa com profissionais licenciados. Essa atitude será capaz de promover a prevenção e o devido acompanhamento das doenças mentais. Aliado a isso, o Ministério da Educação deve promover debates que envolvam a população, psicólogos, médicos e pesquisadores, a fim de desmistificar os esteriótipos envolvendo o tema e incentivar a prática do respeito.