A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 24/08/2019
O holocausto brasileiro, assim denominado pela escritora e jornalista Daniela Arbex, consistiu no extermínio de mais de 60 mil brasileiros portadores de alguma patologia mental no hospital Colônia no século XX. Paralelamente, no presente tal barbárie foi praticamente esquecida e o assunto permanece silenciado; o problema em sim continua sem solução, haja visto que as doenças mentais não são debatidas por esferas políticas e sociais da forma que deveria. Com isso, convém a análise da razão pela falta do dialogo e a consequência dessa omissão.
Em primeira observação, as enfermidades neurológicas apresentam progressão constante, algo não está certo, pois, há vários avanços tecnológicos em diversas áreas, mas ao mesmo passo que questões como essa parecem estar negligenciadas. Desse modo, conforme esclarece o filósofo grego Platão, o importante não é apenas viver, mas viver com qualidade. Nessa lógica platônica é indiscutível a necessidade que há em se debater sobre a saúde mental, entretanto, o estigma que essa questão suscita impede a efetiva importância que a temática merece. Nesse contexto, é repugnante e vergonhoso a insensibilidade que existe no Brasil por parte da população que prefere ignorar e fingir desentendimento a respeito desse fenômeno.
Além disso, a depressão, um dos vários problemas psicológicos, no hodierno é uma doença dessa classe que mais afeta a população e deixa muitas vezes, sem o devido tratamento, marcas perpétuas quando a solução encontrada pelo indivíduo é dar fim a seu sofrimento com o suicido. Nesse ínterim, a notável omissão governamental é um dos pilares para tal mazela persistir na contemporaneidade, não existe, nessa área, o atendimento satisfatório das pessoas muitas vezes não há a compreensão necessária a qual esse público demanda. Nesse cenário, dentre todas as violências possíveis, a omissão talvez seja a forma mais perturbadora, porque é silenciosa e permite estragos inimagináveis.
Portanto, é indiscutível que é urgente que se discuta com maior veemência as doenças mentais. Para tanto, o Governo federal — uma das instâncias máximas do país — deve expandir a oferta de atendimento especializado, por meio da criação de assistência psicossocial e disponibilizá-las de maneira a cobrir a maioria dos bairros e também na zona rural. Ademais, o sistema educacional também deve ser vinculado para que de fato haja efetivação e melhoria, pare esse caberá fornecer conhecimento em relação às enfermidades da mente, pelo intermédio de aulas voltadas para o emprego da empatia no convívio com as diferenças, com efeito, será alcançada uma sociedade madura e que os problemas de poucos serão prioridades para muitos. Assim, poderá desvencilhar da sociedade que condena à morte pessoas diferentes, como fez-se na do século XX.