A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 29/08/2019

As inquietações da alma sempre fizeram parte da natureza humana, mas foi a partir de movimentos literários, Romantismo e Simbolismo, que assuntos como, “loucura”, bipolaridade, ansiedade e sofrimento excessivo passaram a ganhar destaque. Fora dos livros, mais que nunca esses sintomas afetam seriamente os indivíduos -segundo a OMS, Organização Mundial de Saúde, cerca de 20% dos adultos atualmente tendem a desenvolver algum transtorno mental-. Dessa forma, existem dois grandes desafios para o combate: o preconceito enraizado na sociedade e a falta de humanização nos hospitais.

Convém ressaltar, a princípio, que o preconceito diante das doenças mentais é um fator determinante para a permanência do problema. Segundo Pierre Bourdieu, toda sociedade incorpora padrões impostos, os quais reproduzem ao longo das gerações, sendo assim, a ideia errônea de “frescura” e menos importância de doenças mentais enraizadas geram um tabu sobre o assunto. Desse modo, pela censura da discussão, ocorre tanto a banalização de algo tão sério, como desestimula a procura de ajuda por pessoas que têm sintomas ou possuem algum transtorno.

Outrossim, conforme o diretor geral do Hospital de Câncer de Barretos, falta humanizar os postos de saúde, tal qual também torna-se um fator determinante. Nesse viés, o filme “Patch Adams” retrata a ineficiência do tratamento fornecido pelos hospícios, pois a apatia dos profissionais de saúde prejudica a reabilitação dos pacientes devido a “nuvem negativa” criada ao redor dos que já sofrem interiormente. Portanto, as configurações desestimulantes das unidades de saúde torna ainda mais difícil a superação dessas mazelas sociais e uma nova perspectiva sobre seu combate se faz preciso.

Dessarte, medidas são necessárias para solucionar a problemática, logo, o Ministério da Saúde, em conjunto com o da Educação, deve, por meio das instituições escolares, promover discussões nas turmas de Fundamental e Ensino Médio sobre depressão, bipolaridade, ansiedade e outros transtornos mentais. Com isso, objetiva-se a quebra das barreiras criadas pelas gerações anteriores, abrindo espaço para o diálogo e prevenção, ademas, deve-se também dar atenção aos tratamento aos já afetados e então aumentar a eficiência na reabilitação. Por fim, terá-se esperanças de um cenário melhor do que o previsto pela OMS.