A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 03/09/2019
No seriado alemão “Dark”, é retratado o suicídio cometido por Michel Kanhwald devido ao sentimento de não pertencimento à realidade circundante. Fora da ficção, é notório que casos como o de Michel têm sido cada vez mais comuns no século XXI, sobretudo, quando se trata da parcela populacional que apresenta distúrbios psicológicos; assim, constata-se o quão importante é o debate sobre as doenças mentais, tanto para combater o preconceito, quanto garantir a saúde e o bem-estar.
Em primeiro plano, é evidente que o preconceito é um dos principais impasses quando se trata de doenças mentais, tendo em vista que, muitas vezes, a sociedade discorre sobre os problemas da mente como “frescura” ou “fase”. Contudo, as doenças psicológicos - como, depressão, ansiedade e esquizofrenia - tem se mostrado cada vez mais comuns e, podem afetar drasticamente o cotidiano de uma pessoa, levando a baixa autoestima, problemas no rendimento escolar e no ambiente de trabalho ou até mesmo pensamentos suicidas. Nesse sentido, pode-se vincular pesquisas e levantamentos da OMS, em que o Brasil é o país da América Latina que tem a maior incidência de casos de depressão, sendo que 1 a cada 5 pessoas sofre algum tipo de transtorno mental.
Por conseguinte, com o preconceito enraizado na sociedade, a busca por ajuda médica e psicológica é escassa ocasionando em problemas ao bem-estar e saúde da população. Diante disso, pode-se notar que, gradativamente, com a falta de atendimento médico adequado, quadros mais simples e que precisariam apenas de um acompanhamento e/ou terapia se tornam mais graves, levando ao uso de medicamentos por longos períodos ou até mesmo durante a vida toda. Além disso, a falta de empatia e comunicação sobre os casos faz com que o indivíduo se sinta cada vez mais sozinho, trazendo atona a automutilação e o isolamento social. Analogamente, pode-se vincular a percepção do filósofo Paulo Freire: “Ninguém liberta ninguém, as pessoas se libertam em comunhão”, assim, é notório que a união é essencial para a sociedade e, principalmente, para superar as barreiras.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para dirimir a questão. A priori, é fundamental que a partir da composição tripartite - governo, entidades privadas e mídia - ocorra a criação de campanhas que mostrem o quão nocivo as doenças mentais são para a saúde, através de propagandas midiáticas abrangentes e impactantes, para que assim a população possa refletir e mudar sua forma de pensar e agir sobre a questão e hajam com mais empatia. Além disso, é importante que o ministério da saúde amplifique o trabalho de psicólogos nos postos de saúde, para que as pessoas possam ter um maior apoio e consciência da importância do tratamento. Somente assim, casos como o de Michel serão evitados e a sociedade poderá seguir o pressuposto de Paulo Freire.