A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 01/09/2019
No século XIX, durante a segunda geração do Romantismo brasileiro, houve o chamado mal do século, que consistia em um estado de tristeza e perturbação mental, no qual havia a romantização das doenças psicoemocionais. Analogamente, infere-se que, na contemporaneidade, há a necessidade de debater as doenças mentais, visto que o processo de romantizar doenças desse tipo voltou a acontecer e, além disso, o sistema de saúde não se encontra preparado para atender devidamente o publico que possui tais distúrbios.
A princípio, é notável que doenças mentais são frequentes nos brasileiros, atingindo cerca de 10% de toda a população, segundo dados do Ministério da Saúde. Nesse sentido, acontece, não raro, o processo de romantização desses distúrbios, pois famosos como as cantoras Lana Del Rey e Amy Winehouse relacionam tais enfermidades a um estilo de vida, o que causa um modismo em muitos jovens e adultos a possuir o mesmo pensamento equivocado. Prova disso são as páginas cada vez mais frequentes nas redes sociais sobre a vulgarização de tais doenças, como ¨#faculdadedadepressão¨ ou ¨#empregodadepressão¨, que relacionam práticas cotidianas as desregulações psicológicas.
Outrossim, é nítido que existe uma estrutura do SUS- Sistema Único de Saúde- voltada para acompanhar esse público-alvo, por meio dos CAPS- Centros de Atendimento Psicossocial-, que oferecem tratamento e reintegração social para pessoas com depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia, entre outros. Entretanto, esse sistema encontra-se, em parcela expressiva das vezes, despreparado para assistir toda à população necessitada, à medida que apresenta número insuficiente de profissionais para suprir a demanda, bem como baixo nível de investimentos governamentais para manter as unidades de atendimento, segundo a OPAS- Organização Pan-Americana de Saúde-.
Assim, diante desse cenário, são necessárias medidas para aumentar o debate desse contexto no Brasil. Para tal feito, é positivo que as instituições de ensino promovam nos discentes a formação de um senso crítico sobre as influências negativas atuais, como paginas da internet e famosos, por meio de aulas e palestras ministradas por psicólogos e pedagogos que debatam os malefícios desses na vida dos estudantes, a fim de promover a saúde mental nesses indivíduos. Ademais, é cabível ao Ministério da Saúde realizar a melhoria dos CAPS, por intermédio da contratação de profissionais via concursos públicos, como também o fornecimento de recursos financeiros aos gestores das unidades para a realização de reformas e compra de medicamentos, com o objetivo de garantir o atendimento ao público necessitado e, por conseguinte, evitar que o mal do século do Romantismo se perpetue.