A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 04/09/2019

Preconceito. Injustiça. Invisibilidade. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, ‘‘a invisibilidade é equivalente á morte’’. Infelizmente, pessoas que sofrem com os transtornos mentais são constantemente invisibilizadas e não recebem a atenção que deveria. Mesmo com várias medidas criadas para a inclusão o paciente com transtornos mentais ainda é vítima de um preconceito constante da sociedade. Assim, para mitigar essa mazela, ações e politicas públicas eficazes devem ser criadas para erradicar essa problemática.

É importante salientar, que esse preconceito com os pacientes de transtornos mentais é uma questão histórica. No Renascimento, o homem era o centro de tudo, nesse período, destacam-se a arte, as grandes navegações, e com isso o surgimento do comércio e da burguesia. Sendo assim, os lugares deveriam estar limpos e para isso seria necessário excluir aqueles que não participavam do mercado de trabalho, tais como, mendigos, loucos e velhos, essas pessoas rejeitadas, eram levadas por embarcações para serem deportadas para fora das cidades. Portanto, esse problema é fruto de uma ineficácia, tanto do governo quanto da sociedade, de vários séculos atrás.

Segundo Sócrates, filósofo grego, que sempre propôs como solução, os debates para a ignorância, caso essas conversas não ocorram, a sociedade em geral continuará a enxergar essas doenças como bobagens e nunca saberá como ajudar, de verdade, quem passa por isso, o que Platão, outro filósofo, classificaria como continuar preso na ‘‘caverna’’. A metáfora da caverna consiste, na tentativa de explicar a ignorância em que vivem os seres humanos e o que seria necessário para atingir o verdadeiro ‘‘mundo real’’, baseado na razão acima dos sentidos.

Fica evidente, portanto, que são necessários os debates sobre doenças mentais. Com isso, é dever do Ministério da Saúde, junto com o Governo Federal, analisar projetos que não estão sendo eficazes e criar outras estratégias. A título de exemplo, destaca-se a implantação de mais projetos como o RAPS, que articulam uma série de serviços gratuitos, que fortalece o novo modelo de cuidado em liberdade, próximo ao território de vida das pessoas, com a participação da família e da sociedade, garantido direitos e afirmando a cidadania. Assim, podemos mitigar o fim dessa mazela na sociedade