A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 04/09/2019
Muito ouve-se falar sobre o holocausto alemão, ou seja, o extermínio causado pelos nazistas na Segunda Guerra, mas pouca gente lembra do holocausto brasileiro, ocorrido nas delimitações do Hospital Colônia de Barbacena, também no século XX, criado para receber doentes mentais e que tornou possível um cenário de atrocidades cometidas contra os pacientes. A questão é que naquela época pouco se sabia acerca das doenças mentais e de como tratá-las. Hoje, porém, com o avanço das questões éticas e da própria medicina, o cuidado com o psicológico tem evoluído, mas ainda carrega consigo muitas limitações, entre as quais está o fato de que as doenças mentais poderiam ser mais discutidas para serem melhor tratadas. Isso porque quando alguém sofre de alguma delas, os familiares/amigos/pessoas ao redor costumam ainda não saber identificar e ajudar, dificultando o diagnóstico.
O principal problema que essa falta de discussão gera é que ela estende o sofrimento de quem vive com uma dessas doenças mentais, já que, muitas vezes, ele próprio não é capaz de entender a situação que está vivendo, mesmo sabendo que algo esteja errado. A depressão, por exemplo, que é considerada “o mal do século” e que, segundo pesquisas, incide na população na faixa de 6 a 10%, dependendo do gênero, ainda é difícil de ser diagnosticada, porque o próprio paciente não mensura as proporções da sua tristeza e dor, ou até a mascara, e as pessoas ao redor não percebem o quão sério podem ser os eventos de choro, insônia, sono excessivo, falta de apetite, aumento de apetite, desânimo ou baixa autoestima, quando prolongados.
Outro desafio enfrentado é a resistência que algumas pessoas ainda possuem com relação ao tratamento psicológico/psiquiátrico, porque os veem sem a importância e a necessidade devidas. Dessa forma, a pessoa que está sofrendo com algum transtorno ou doença acaba sem apoio ou motivação para procurar um profissional e sofre sozinha, o que pode levar, em alguns casos, ao suicídio.
Portanto, é possível concluir que, para resolver o impasse e alterar as vidas de quem sofre com doenças mentais, o primeiro passo é desconstruir o tabu acerca delas. A mídia e redes sociais apesar de muito influenciadoras dos problemas psicológicos podem atuar também como preventoras, não só no famoso Setembro Amarelo, mas durante todo ano, ampliando, em apoio com os profissionais da saúde e o próprio Ministério da Saúde, a divulgação dos sintomas e das formas de identificação das diversas doenças mentais, além de reforçarem também a divulgação de canais como o Centro de Valorização da Vida (188), dos serviços de psicólogos que atendem a preço social de modo a fazer com que a sociedade entenda que doença mental não é sinônimo de loucura e, assim como doença física, é limitante e precisa ser tratada.