A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 06/10/2019
Junto à Revolução Francesa veio a revolução psiquiátrica: em 1793, o médico francês Philippe Pinel transformou a loucura de uma questão social para uma questão médica. Porém, seu tratamento que baseava em ao observar o comportamento do interno e qualquer desvio deveria ser imediatamente comunicado e punido, acabou virando uma bagunça: psiquiatria, psicologia e psicanálise se intercambiavam para tratar transtornos mal definidos e pouco conhecidos. E a vítima continuava sendo o “louco”, que, se por um lado podia ser tratado, passou a ser visto sob o estigma da doença. Contudo, até nos dias atuais sabe-se que assuntos em torno de enfermidades mentais é pouco discutido e há muitos paradigmas de ideias, por falta de conhecimento e ineficiência nos tratamentos.
Decerto, como em muitos temas ligados à saúde, a ausência de informação se reflete nos números de óbitos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os transtornos mentais estão por trás de 96,8% dos casos de morte por suicídio. E a depressão lidera o ranking. Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de mortalidade por autoextermínio é de 2,4 mulheres a cada 100 mil, enquanto, para os homens, chega a 9,2 para cada 100 mil. Sendo que, está correlacionado ao fato de os homens terem um comportamento mais agressivo e usarem métodos de maior letalidade.
Eventualmente, os sistemas de saúde ainda não responderam adequadamente à carga dos problemas psicológicos. Em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são pouco atribuídos as pessoas, sendo que em países de baixa e média renda, entre 76% e 85% das pessoas com transtornos mentais não recebem tratamento e quando recebem, é de má qualidade. Além do apoio dos serviços de bem-estar, essas pessoas precisam de base e cuidados sociais. Em resposta de tal problemática, o setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio, iniciada no Brasil em 2015, e que conta com o apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Centro de Valorização da Vida (CVV). A ação foi criada com o intuito de fazer as pessoas falarem mais sobre transtornos mentais e, principalmente, suicídio. De acordo com as informações divulgadas pela OMS, ocorre um autocídio no Brasil a cada 45 minutos. Por isso é fundamental que esse assunto se torne discussão.
Dessa forma, para que tal contexto seja mais difundido e quebre esses estigmas que persistem na população sobre transtornos mentais, o Centro de Valorização da Vida com o apoio do Ministério da Saúde, devem inserir palestras em função ao corpo docente para que identifiquem sinais de sofrimento agudo e promovam o debate nas escolas, sendo que, os jovens são um dos maiores a desenvolver problemas mentais. Com o fito de que, assim possam procurar uma ajuda, e ela de base estruturalmente adequada, possibilite que o indivíduo possa contornar tal disfunção.