A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 01/10/2019
Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e determinou que o direito à saúde e ao bem-estar deveriam ser garantidos a todos. Entretanto, existe a necessidade de debater a respeito de doenças mentais, para que, enfim, o direito conquistado no século passado seja colocado em prática. Com efeito, hão de se desconstruir as crises humanas e os efeitos biológicos do transtorno.
Em primeiro plano, as características da sociedade moderna dão espaço às doenças mentais. A esse respeito, Fernando Pessoa - poeta e pensador português do século XX - desenvolveu o conceito de Heteronímia, na qual o indivíduo é visto como um ser fragmentado e incapaz de alcançar plenitude. Nesse sentido, diante do que foi desenvolvido por Pessoa, indivíduos contemporâneos são impossibilitados de sentirem plena felicidade, bem como de desconstruirem a grave questão das crises humanas. Desse modo, não é razoável que um país que almeja se tornar nação desenvolvida, ainda seja obrigado a conviver com um dos mais graves problemas da atualidade: as doenças mentais.
De outra parte, a disfunção hormonal dá lugar a prevalência de alguns transtornos. Nesse viés, no Reino Unido, a National Health Service, considerado o melhor serviço de saúde do mundo, vinculou o surgimento de transtornos e doenças mentais à baixa produção de serotonina - hormônio associado à felicidade. Ocorre que o NHS demonstra que existe uma ligação entre fatores biológicos que fragilizam e causam problemas mentais nocivos, o que pode levar indivíduos a consumirem medicamentos conhecidos como “tarja preta” sem prescrição médica. Assim, enquanto a automedicação for a regra, o combate efetivo aos transtornos psicológicos será a exceção.
Impende, pois, a necessidade de que doenças mentais sejam debatidas. Nesse sentido, o Ministério da saúde deve, com prioridade, ajudar a população a lidar com as crises cotidianas, por meio de atendimentos individualizados nos Centros de Atenção Psicossocial - locais destinados ao tratamento de doenças mentais. Essa iniciativa teria a finalidade de estimular indivíduos a procurarem ajuda médica, capaz de tratar disfunções hormonais de maneira adequada. Assim, o direito garantido pela Carta Magna poderá, enfim, ser realidade no Brasil.