A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 13/09/2019

Os textos literários da geração ultrarromântica destacaram-se, sobretudo, devido à sua temática extremamente sentimental, vista com notoriedade nas obras de Álvares de Azevedo. Embora seja ficção, as emoções vivenciadas pelos personagens estão presentes no mundo contemporâneo, o que reflete a vulnerabilidade emocional sob a qual vive uma grande parte da população. Nesse contexto, observa-se que tem ocorrido uma banalização das doenças mentais, as quais necessitam serem vistas com seriedade e tratadas como verdadeiras patologias.

A princípio, percebe-se que a sociedade mantém uma visão preconceituosa acerca das doenças psíquicas, vendo-as como sinônimos de fraqueza ou preguiça. Em uma entrevista feita pela Rádio USP (Universidade de São Paulo), especialistas afirmaram que muitos estudantes não buscam tratamento para doenças mentais por medo de preconceito. Por sua vez, sintomas como distúrbios no sono, no apetite e no desempenho estudantil tendem a passar despercebidos, visto que as pessoas ao redor costumam associá-los a um desânimo qualquer ou apenas uma indisposição momentânea. Nesse sentido, é preciso desconstruir a visão arcaica das psicopatologias e estimular uma comunicação mais empática.

Ademais, outro ponto de relevância diz respeito à relação que as doenças mentais possuem com outro grave problema de saúde pública: o suicídio. Para o sociólogo Émile Durkheim, o suicídio se relaciona com fatores sociais, como estado civil e profissão, demonstrando que a falta de interação social é uma das principais motivações do pensamento suicida. A esse respeito, sabendo que a falta de apoio familiar e o isolamento social são elementos comuns à vivência de indivíduos emocionalmente debilitados, é possível entender como o sentimento de aversão à vida começa a ser desenvolvido. Sendo assim, é necessário disciplinar a sociedade para que saiba prestar assistência a quem convive com psicopatologias.

Diante dos fatos mencionados, torna-se evidente a necessidade de propor medidas capazes de fomentar o debate no que se refere às doenças mentais. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias de Educação, o papel de realizar campanhas socioeducativas em todas as instituições de ensino do país. Nessas campanhas, estarão inclusos psicólogos, psiquiatras e auxiliares terapêuticos expondo informações relativas às emoções humanas e às doenças psíquicas, com o propósito de preparar os indivíduos para lidar da melhor forma com essas enfermidades. Destarte, a sociedade entenderá a gravidade do problema e poderá prevenir que características comuns às obras ultrarromânticas façam parte da realidade.