A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/10/2019

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Nesse sentido, percebe-se que a sociedade atual está adoecida e a maioria da população não possui o preparo necessário para lidar com o emocional. Justo por isso, a falta de acesso aos serviços de saúde mental e o estigma cultural para o debate ainda impedem a prevenção contra os casos de doenças mentais.

Assim, para o filósofo coreano Byung-Chul Han, a contemporaneidade é marcada por um excesso de positividade que culmina nas mais diversas patologias psicológicas. Por esse motivo, os jovens, por estar um período de autoafirmação e autoconhecimento, são os mais afetados já que, se por um lado,há o despreparo dos jovens em lidar com o emocional e com as novas cobranças do cotidiano; por outro, os estímulos ao excesso de desempenho no trabalho e na faculdade contribuem negativamente para o cansaço física e mental dos indivíduos, o que pode desenvolver casos de depressão, ansiedade, transtornos compulsivos e, em casos mais graves, o suicídio.

Por outro lado, a falta de acesso aos serviços de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, dificulta a prevenção e o tratamento primário aos que precisam de ajuda. Essa realidade condiz com o pensamento do pai da psicanálise Sigmund Freud, no qual afirmava que a inteligência é o único meio que os indivíduos possuem para dominar os seus instintos. Dessa forma, essa ausência de atenção à saúde  demonstra a extrema necessidade de trazer a problemática do avanço das doenças mentais para o centro do debate e encara-la como um grave problema de saúde pública no Brasil. Por esse motivo, desenvolver projetos integradores e formentar um debate contínuo são cruciais para amenizar essa triste realidade.

Para isso, é importante que o Ministério da Educação atue com a promoção de projetos em escolas e universidade acerca do tema, o que pode ser feito através de  palestras, mesas redondas e um acesso facilitado aos profissionais de psicologia nas redes públicas de ensino, a fim de acessibilizar o tratamento primário e democratizar o conhecimento acerca dos principais sintomas das doenças mentais. Além disso, é necessário que ONGs, as mídias tradicionais e influenciadores digitais atuem com a ampliação do debate acerca da necessidade de prevenção e priorização da qualidade de vida, influenciando que a população tenha um olhar mais atento à sua saúde mental e quebre alguns tabus acerca do tema. Assim, com conhecimento e seriedade, será possível amenizar os efeitos colaterais da sociedade moderna.