A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 16/09/2019
No início do século XX, foi criado na cidade mineira de Barbacena o Hospital Psiquiátrico Colônia, palco de uma das maiores tragédias ocorridas no Brasil. Nesse manicômio, milhares de pessoas com ou sem doenças mentais foram mortas devido às condições desumanas e maus-tratos as quais eram submetidas. Embora tenha-se passado anos e ocorrido importantes avanços com a Reforma Psiquiátrica em 2001, os transtornos psíquicos ainda sofrem a negligência e o preconceito da sociedade. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse revés social.
A priori, vale ressaltar o conceito de ‘’Modernidade Líquida’’ do sociólogo Zygmunt Bauman, no qual ele declara que as relações interpessoais tornaram-se menos concretas e como consequência, a intensificação da intolerância com as diferenças. Tal conjuntura pode ser evidenciada na atual sociedade brasileira, tendo em vista a marginalização de pessoas com transtornos psíquicos, a exemplo da depressão, bipolaridade e esquizofrenia. Dentro desse problema, nota-se que os doentes mentais são constantemente vítimas da rejeição e do escárnio público, sendo esses, estigmatizados de atividades sociais e do mercado de trabalho. Dessa forma, em decorrência da opressão que os rodeiam, as psicopatias são acentuadas.
Outrossim, é imperioso salientar o pensamento do filósofo contratualista John Locke, em que ele afirma que é dever do Estado garantir a ordem e o bem-estar social. Seguindo tal premissa, vê-se que o Governo deturpa essa garantia, considerando os diversos entraves existentes no país que dificultam à melhoria nas condições de vida dos portadores de psicopatias. Acerca disso, é pertinente destacar a enorme lacuna na busca e na oferta de tratamento, tanto em termos de quantidade, quanto em qualidade. Isso se confirma com dados da Secretária de Saúde Pública, os quais estimam que menos de 30% das unidades básicas brasileiras oferecem atendimento psiquiátrico adequado. Logo, verifica-se que o descaso dos governantes propicia obstáculos para a cura de parcela da população.
Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para coibir esse cenário. Assim, cabe ao Governo, na forma do Ministério da Saúde, por meio de investimentos, promover a criação de instituições psicossociais com o fornecimento de profissionais psiquiátricas capacitados, a fim de assegurar o tratamento qualificado dos pacientes. Junto a isso, é imprescindível que a mídia, com seu alcance nacional, produza e dissemine conteúdos educativos que conscientizem a sociedade sobre a importância da assistência e do respeito na recuperação das psicoses. Só então, será factível garantir a inserção e o bem-estar dessa minoria no país.