A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/09/2019

A série estadunidense “Euphoria” narra, entre outros assuntos, a história de uma jovem que desde muito nova sofre de transtornos mentais como a ansiedade e bipolaridade. No entanto, devido à falta de apoio, a personagem evita a realidade do problema e “alivia” as inúmeras crises no uso de drogas. Em analogia, apesar de ser uma série fictícia, retrata, no atual cenário brasileiro, a ausência de suporte aos indivíduos que possuem doenças psicológicas, visto que embora essa problemática esteja acometendo um número cada vez maior de cidadãos, a divulgação e o tratamento têm sido ínfimos na sociedade. Desse modo, é pertinente a necessidade de se debater as doenças mentais na contemporaneidade.

Convém salientar, a princípio, que o tabu social em torno das doenças psiquiátricas, muitas vezes impede os indivíduos de receberem assistência necessária. Isso pode ser observado desde o período monárquico no Brasil, com a criação de hospitais psiquiátricos ou denominados “manicômios”, por exemplo, no qual os cidadãos que frequentavam tais ambientes eram taxados de loucos e eram excluídos pela sociedade. Nesse contexto, ao longo dos anos, esse estigma acaba limitando a circulação de informações sobre doenças e agravando casos que poderiam ser facilmente tratados ou diagnosticados precocemente como a depressão, distúrbios alimentares, a ansiedade, entre outros. Dessa maneira, criar redes de divulgação e apoio é fundamental para enfrentar o entrave.

Outrossim, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 12% da população brasileira apresenta sintomas de transtornos mentais. Contudo, apenas 2% do orçamento da saúde pública é destinado ao tratamento psicológico como informa o Órgão das Nações Unidas. Nesse sentido, isso sugere que os investimentos atuais estão bem abaixo do necessário para abarcar a demanda por atendimento e o tratamento dessas patologias. Por consequência disso, indivíduos que precisam de auxílio e uma atenção mais próxima ficam, por vezes, mais suscetíveis ao suicídio e o uso de drogas, como abordado na série. Logo, trabalhar na melhoria do atendimento, principalmente na juventude é de fundamental importância para intervir nesse aumento dessas doenças na população.

Portanto, percebe-se que são necessárias medidas para amenizar esse impasse na sociedade. Para tanto, é imperativo que o Ministério da saúde informe a população, por meio da criação de campanhas a serem veiculadas na TV e redes sociais sobre as doenças psicológicas, com o fito de desconstruir os preceitos construídos em torno dessa problemática ao longo dos anos e ampliar o apoio aos cidadãos. Ademais, cabe também o governo Federal destinar mais verbas para expandir o atendimento psicossocial, por intermédio da criação de ambulatórios e a contratação de profissionais na área que atendam também nas escolas e no meio familiar. Para assim, evitar o que ocorreu na série.