A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 19/09/2019

Byung Chul Han, sociólogo contemporâneo, retrata, em sua obra “Sociedade do Cansaço, a tentativa de mecanização do homem pelos sistemas de produção e a exigência exacerbada por uma alta performance - características da sociedade pós moderna. Nesse panorama, tem-se que, decorrente, também, desses aspectos, substancial parcela da sociedade tem enfrentado transtornos de ordens mental e emocional. Nesse sentido, faz-se imprescindível discorrer sobre tal problemática, que tem sido potencializada pelo ativismo hodierno, bem como pela fragilidade educacional do ensino brasileiro.

É válido explicitar, em primeira análise, que a dinamicidade inerente ao atual cenário social, capitalista e tecnológico, é um fator contribuinte para o desencadeamento de transtornos na saúde mental dos indivíduos. Isso porque, assim como constatou o sociólogo, a permanente e prejudicial exigência por alta performance automatiza as ações do homem e o distancia de sua natureza humana. Tal distanciamento faz com que o ser, enquanto indivíduo plural e único, não consiga ter uma sensação de pertencimento, tampouco satisfação em suas atividades cotidianas. Nesse viés, é de se esperar que, em uma sociedade que superestima a maximização dos lucros e não instrui a coletividade sobre inteligência emocional, os índices de transtornos mentais possam, infelizmente, aumentar.

Convém pontuar, ainda, que o arcaico sistema de educação do país contribui, também, para o agravamento desse problema social. Isso porque o currículo das escolas no Brasil preconiza mecanização do pensar em detrimento do estímulo à capacidade reflexiva. Assim, a consequência mais imediata desse cenário é a formação de jovens para o mercado de trabalho que não conseguem gerenciar suas emoções, muito menos lidar com as pressões e imposições que o sistema sugere. Tal argumento apoia-se no conceito de “Educação Bancária”, que o educador Paulo Freire define como sendo um ensino que mantém a estratificação e serve para mero treinamento para a formação de uma massa de trabalho. Nesse sentido, a modernização que traz estímulos diversos, exigências e padrões, traz, ainda, desequilíbrios psicológicos e emocionais àqueles que não foram incitados a desenvolver inteligência emocional - potencialidade indispensável, sobretudo, na sociedade pós moderna.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas que atenuem esse problema. Assim, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação estaduais, deve, por meio de uma reformulação, inserir, na Base Comum Curricular, a obrigatoriedade de matérias sobre gestão emocional, bem como a obrigatoriedade de psicólogos nas unidades escolares públicas e privadas, com o fito de instruir e auxiliar crianças e jovens a lidar com a dinamicidade dos tempos e as implicações expostas na obra de Chul Han.