A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 24/09/2019
No filme “As vantagens de ser invisível”, é retratada a vida do estudante Charlie, o qual vivencia um quadro de depressão após perder seu melhor amigo, e isso leva-o a estabelecer dificuldades para relacionar-se socialmente. Analogamente à realidade contemporânea, a depressão, entre outras doenças mentais, se intensificam de maneira preocupante dentre a sociedade, sendo a despreocupação social e governamental as principais causas desse desequilíbrio, o qual traz impactos significativos para a saúde e sociedade. Destarte, é necessário analisar medidas para combater a crescente carga dos transtornos mentais a fim de diminuir a incidência destes entre a população.
De início, vale ressaltar que a negligência governamental perante a questão citada, é um fator diretamente ligado ao retardamento do combate a essa problemática. Isso porque em virtude dos altos preços das consultas com psicólogos e psiquiatras privados e a dificuldade do acesso aos serviços público torna a realidade preocupante, uma vez que a divulgação de informações a respeito de doenças mentais e a garantia acessibilidade ao tratamento adequado para os cidadãos é insuficiente, mesmo que esteja presente como direito constitucional. Por consequência, o acesso não é alcançado e as vítimas desse desdenho se veem longe de uma possível mudança no quadro psíquico.
Além disso, Zygmunt Bauman afirma em sua obra, “Modernidade líquida”, que as relações sociais acontecem de maneira instável retratando a individualização social, em que não há preocupação com a situação do outro. Isso é visível na atualidade, quando tais questões são abordadas, reflete na sociedade a falta de conhecimento, o qual romantiza os transtornos, dando-os sinônimo de melancolia e refúgio ou até mesmo caráter humorístico. Sem a consciência do grau de seriedade dessas doenças, construiu-se ao longo do tempo um conceito errôneo sobre o que se passa no âmago das pessoas que sofrem com essas doenças, como uma magnificação trófica, que tem como sua propriedade tóxica a banalização. Por consequência dessa falta de seriedade, não ocorre a realização de medidas necessárias e a incidência dos casos aumentam gradativamente.
Diante do exposto, urge a implementação de providências para resolver o impasse. Em parceria com o Ministério da Assistência Social, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas de promoção à saúde mental, como organização de grupos nas comunidades com palestras de psicólogos orientando sobre a seriedade das doenças mentais, no intuito de conscientizar a população. Ademais, o Governo Federal deve realizar o devido investimento nesse setor, com a criação de centros de apoio em todas as redes de saúde, bem como a capacitação dos profissionais de saúde melhorando o acolhimento dos pacientes com transtornos mentais, e assim obter um resultado positivo contra esse óbice.