A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 02/10/2019

Na série “thirteen reasons why”, Hannah é uma jovem cujo psicológico é afetado após sofrer bullying e assédio. Diante disso, comete suicídio. Fora da ficção, as doenças mentais provocam muitos danos às vítimas, as quais podem chegar a machucar-se de maneira irreversível. Por isso, embora essas doenças não sejam recentes, se agravaram com o processo de globalização, o que fez ainda mais necessário o debate acerca disso.

Inicialmente, verifica-se no Brasil períodos históricos nos quais doenças como a depressão apresentaram elevado número de vítimas. Nesse sentido, um bom exemplo é o período literário denominado Romantismo, no qual os autores retratavam em suas obras muita tristeza e morbidez. No entanto, essa forma de falar sobre o assunto era sempre romantizada, o que poderia estar agravando as doenças e aumentando o número de suicídios, por funcionar como um incentivo. Segundo o sociólogo David Phillips, o Efeito Werther - nome referente ao livro de Goethe “Os sofrimentos do jovem Werther” - é o efeito imitativo do comportamento suicida após um caso amplamente divulgado. Dessa forma, é evidente a importância da cautela em qualquer forma de debate do assunto, seja por meio de filmes e séries, livros, mídia ou nas escolas.

Além disso, devido às novas tecnologias e agilidade das informações nos meios de comunicação, tornou-se difícil acompanhar essa velocidade e pressão psicológica. Segundo Aristóteles, o homem é um ser social. Nesse contexto, ser sociável no mundo globalizado significa estar constantemente atualizado, perspectiva na qual, muitas vezes, acaba por causar um problemas atualmente muito comum, a ansiedade. Outra doença mental, também relacionada à adequação na sociedade, é a bulimia, a qual tem início com a obsessão pelo corpo padronizado pela mídia.  Logo, comprova-se o agravamento dos problemas mentais no mundo pós-moderno.

É necessário, portanto, debater de maneira eficaz acerca das doenças mentais, a fim de combatê-las e evitá-las. Para isso, a mídia, com o incentivo do Ministério da Saúde, deve criar novelas e seriados nos quais doenças mentais sejam superadas, promovendo o debate não romantizado do assunto, para evitar o efeito contrário ao objetivo de minimizar as doenças e suas consequências. Ademais, as escolas devem promover debates obrigatórios entre os alunos, nos quais se discorra sobre aceitação e saúde mental, apresentando trabalhos e pesquisas relacionadas a diferentes problemas psíquicos, além do aconselhamento, por parte dos professores, à busca de ajuda. Assim, com a quebra do tabu existente em torno das doenças psicológicas e trocas de informações conscientes do assunto, se minimizarão os casos desses tipos de distúrbio e, consequentemente, seus danos.