A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 02/10/2019

De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir o direito à saúde para todos. Porém, é notável que após o crescimento dos índices de doenças mentais no Brasil, causado pela falta de tratamento adequado, negligência do Estado, e ao individualismo conjunto a falta de empatia da sociedade contemporânea, rompe com os direitos assegurados na constituição.

Em primeiro plano, vale ressaltar, que o desinteresse estatal no melhoramento do sistema de saúde pública no setor de doenças mentais torna-se um fator determinante. Isso porque, esse setor não é visto com maior atenção do poder público diante do preconceito, de que indivíduos com problemas mentais muitas vezes não conseguem se ressocializar com a sociedade de maneira considerada normal. Com efeito, é visto que os medicamentos e tratamentos provocam ao governo um alto custo, pois, devem ser feitos em locais específicos como hospitais, escolas e centros de atenção psicossocial, dotados de especialistas e estrutura especial para atender desde os casos mais simples aos mais graves, como por exemplo pacientes com distúrbios mentais e esquizofrenia.

Paralelo a isso, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman na sua obra “modernidade líquida”, a sociedade contemporânea é marcada pela fragilidade nas relações interpessoais e caracterizada pela falta de empatia, porém, muitas vezes essa característica é impulsionada pela negligência familiar e o individualismo da sociedade contemporânea que trata com indiferença qualquer pessoa que apresente traços de transtornos mentais. Deve-se abordar ainda, que o agravamento de doenças mentais conjunto a falta de cuidados, em alguns casos acarreta a tentativa de suicídio, principalmente na classe jovem que associa de maneira errada essa prática à uma válvula de escape da sociedade.

Torna-se evidente, portanto, que é necessário a criação de políticas efetivas para solucionar a problemática em questão. Sendo assim, cabe ao governo, ampliar o investimento nas unidades de saúde e Centro de Atenção psicossocial (caps), já existentes, a fim de promover o tratamento adequado dessas doenças de forma humanizada e correta. Além disso, é necessário que o Ministério da Saúde ligado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), promovam palestras e rodas de conversa principalmente em comunidades e instituições escolares, a fim de provocar a socialização desses indivíduos com outras pessoas. Dessa forma, a sociedade formará uma consciência concreta da importância do equilíbrio mental.