A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 02/10/2019

Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde não é só a ausência de doença, mas o completo bem-estar físico e mental do indivíduo. Perante a definição, a sociedade entra em conflito quando aborda sobre doenças mentais, taxadas com preconceito, as pessoas com transtornos mentais são estigmatizadas. Isso ocorre porque a saúde mental não é vista como parte da saúde física, ideia errônea que deve ser combatida por meio de debates acerca do tema e conscientização das consequências das doenças mentais no mundo.

Para ilustrar a urgência do assunto, dados da OMS revelam que aproximadamente 23 milhões de brasileiros apresentam sintomas de transtornos mentais, os mais comuns sendo a depressão e ansiedade. Contudo, é recente o debate sobre doenças mentais, por consequência, o preconceito e desentendimento ainda prevalecem na sociedade. Considerada como loucura ou frescura, tal estigmatização dificulta no reconhecimento dos sinais de prováveis transtornos que o indivíduo possa exibir rotineiramente, por conseguinte, demora a procurar ajuda e o quadro psíquico se agrava. Isso correlaciona-se com o índice de suicídio, visto que o Brasil está entre os 10 países com maior taxa de suicídio mundial, conforme aponta a OMS.

Analisada a seriedade do problema, com as taxas de suicídio, é indubitável discutir doenças mentais em conjunto com a saúde pública. Pois, segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 70% das pessoas que sofrem com transtornos, não têm acesso a tratamento adequado e, de acordo com o IBGE, cerca de 80% dos brasileiros utilizam da saúde pública. Portanto, órgãos públicos devem ampliar atendimento médico para melhor diagnóstico e informatizar a população, sendo um direito. Diferentemente do que foi retratado no livro “Holocausto Brasileiro”, durante a década de 60, um hospital psiquiátrico em Minas Gerais tratava de seus pacientes sem nenhum direito social, a forma desumana de lidar com as doenças mentais provocou a morte de 60 mil pessoas, daí a importância de debater as doenças mentais hodiernamente.

Destarte, para que o debate na sociedade seja efetivado, cabe ao Ministério da Saúde providenciar palestras em escolas e empresas, também divulga-las online nas redes sociais para alcançar o maior número de pessoas, informatizando sobre as diversas doenças mentais, como reconhece-las e onde procurar tratamento mais próximo. Ademais, compete  ao Centro de Atenção Psicossocial disponibilizar mais psicólogos e psiquiatras nos hospitais públicos, com ambiente adequado e agradável no intuito de proteger os pacientes por meio de acompanhamento profissional e acessível. Assim o preconceito será superado com o conhecimento das doenças mentais e da participação do povo.