A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 03/10/2019
Sísifo brasiliensis
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, então a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito a uma assistência mental de forma eficaz. Nesse contexto, convém analisar a necessidade de debater as doenças mentais, bem como os entraves que as tornam cada vez mais desafiadoras.
A princípio, a Constituição Cidadã de 1988 garante a saúde de qualidade como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para a sua formação e proteção, todavia, o poder executivo não efetiva esse direito. Assim, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética à Nicômaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que urge maior atenção especializada para pessoas portadoras de transtornos mentais, sendo uma das principais causas reverberadora dos grandes problemas de saúde.
Ademais, os fatores psicológicos vão além de dores emocionais, pois prejudicam as relações sociais e afetam indiretamente, por muitas vezes, a saúde física. Sob essas perspectivas, foi criada a lei nº 10.216/2001 que redirecionou o modelo assistencial em saúde mental, a qual tornou possível a criação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) pelo Ministério da Saúde (MS). A partir disso, passou-se a atender maior parte da demante por assistência, entretanto, a necessidade de auxílios psicológicos surgem, geralmente, entrelaçados às problemáticas sociais. Em vista disso, uma vez que o principal desafio é a conscientização acerca dos tratamentos das doenças mentais, faz-se preciso quebrar o tabu do assunto para prevení-lo e combatê-lo.
Ante o exposto, debruçar-se sobre esses impasses é indebutável. No tocante às medidas para a solução, cabe ao Executivo Federal, por meio do MS, investir e impulsionar o poder de atuação das CAPS’s, com o fito de abranger todo o território nacional de maneira eficiente, alcançando todas as classes e níveis de urgência de apoio, portanto, tirará esse direito do papel. Não obstante, o Ministério da Educação deve inserir no cotidiano das escolas, psicólogos capacitados a promover práticas como rodas de conversa, a fim de incitar a socialização, bem como mitigar a discriminação de pessoas com distúrbios psicológicos. Desse modo, a realidade distanciar-se-à do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão os desafios de Zeus.