A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 06/10/2019

Na obra “A Redoma de Vidro”, lançada em 1963, é apresentada a personagem Esther Greenwold que sofre com transtornos emocionais numa época em que depressão e bipolaridade eram considerados triviais. Não distante, hodiernamente, pessoas que vivem com essas doenças lidam com o pensamento estereotipado da falta de “força de vontade” e, por conseguinte, tais distúrbios são banalizados. Destarte, torna-se crucial o debate acerca desses problemas e os malefícios que a banalização acarreta.

Em primeiro plano,  o sociólogo polonês Zigmunt Bauman defende, no livro “Modernidade Líquida”, que o imediatismo é uma das principais características da pós-modernidade. Esse fator associado ao consumismo gera o surgimento de crises de ansiedade e, consequentemente, outras patologias devido à necessidade da exposição de constante felicidade e a dramatização de qualquer nível de tristeza. Logo, a fluidez dos sentimentos propicia o agravamento das doenças mentais na contemporaneidade.

Outrossim, depressão caracteriza-se por pelo menos duas semanas seguidas do problema, diferentemente da tristeza passageira. Quimicamente, esse estado prolongado deve-se a redução demasiada dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina, que regulam níveis de humor, sono e motivação. Sob esse viés, compreende-se o distúrbio como alterações neuronais do organismo, que resultam no sentimento apático em relação a qualquer experiência de felicidade.

Com o intuito de amenizar essa problemática, os Ministérios da Saúde e o de Comunicações deveriam abordar em campanhas, a serem exibidas nos horários de altos índices de audiência, sobre o significado verídico de transtornos psicológicos e os males que a atribuição pejorativa e banalizada dada as alterações psíquicas causam, a fim de cativar a consciência coletiva do respeito aos afetados pelas doenças. Ademais, familiares deveriam incentivar a realização de sessões de psicoterapia com um psicólogo,  além do uso de antidepressivos, como Fluoxetina e Paroxetina que ajudam a repor importantes neurotransmissores cerebrais,  com o propósito de estimular o humor e o bem estar.