A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 08/10/2019
‘‘A humanidade está levando a mente a um estado de falência.’’ Tais vocábulos do psiquiatra Augusto Cury apontam para a vulnerabilidade emocional da contemporaneidade, a qual é evidenciada, sobretudo, pelo crescente índice de doenças mentais. Nesse sentido, essa condição se dá não só por demandas no sistema de saúde, como também por questões culturais. Assim, é imprescindível debater acerca dessa temática, a fim de proporcionar, de fato, bem estar no cenário hodierno.
Em primeiro lugar, as falhas na gestão pública emergem como fatores determinantes nessa conjuntura. Para o filósofo Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. No entanto, a negligência governamental rompe com essa harmonia, em face do debilitado investimento no setor. Essa situação se comprova em um relatório da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), o qual apontou que, além da falta de recursos financeiros, o número de profissionais não é suficiente para atender à população. Dessa forma, a busca por apoio deixa de ser prioridade, uma vez que a assistência particular não é acessível no aspecto financeiro, e consequentemente, torna o indivíduo refém desse sistema instável.
Ademais, outro atenuante se dá na persistência de tabus no âmbito coletivo. Isso porque a falta de conhecimento fomenta uma perspectiva estereotipada sobre o tema. Nesse sentido, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, transtornos como a depressão não são tratados com seriedade, o que constitui um obstáculo na busca por tratamento. Isso pôde ser percebido no carnaval de 2019, quando máscaras com o rosto do ator Fábio Assunção foram comercializadas nos blocos de rua, de forma a associar sua imagem a episódios de loucura. Dessa maneira, esse cenário de hostilização faz com que muitos tenham receio de sofrer algum tipo de estigma, fazendo com que os sentimentos e emoções sejam reprimidos pelo próprio paciente.
Infere-se, portanto, que o aumento das doenças mentais na atualidade é alarmante. Logo, para modificar essa realidade, é substancial a participação do Ministério da Saúde, por meio da estruturação financeira e profissional dos Centros de Atenção Psicossocial, bem como do envolvimento ativo na precaução de problemas relacionados à saúde mental, implementando, por exemplo, iniciativas para prevenção do suicídio, através do convênio firmado com o Centro de Valorização da Vida (CVV). É salutar, ainda, que a mídia, mediante campanhas publicitárias, busque desconstruir os esteriótipos que persistem na sociedade, a fim de incentivar os indivíduos a buscarem apoio psicológico. Por consequência, torna-se-á possível promover qualidade de vida aos brasileiros.