A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 08/10/2019

Os textos literários da geração ultrarromântica destacaram-se, sobretudo, devido à sua temática extremamente sentimental, como o pessimismo doentio e a obsessão pela morte. Embora seja ficção, as emoções vividas pelos personagens estão presentes no mundo contemporâneo. Nesse contexto, nota-se que tem ocorrido a banalização das doenças mentais, as quais necessitam ser vistas com seriedade e tratadas como verdadeiras patologias.

Observa-se, em primeira instância, que a sociedade mantém uma visão preconceituosa acerca das doenças psíquicas, vendo-as como sinônimo de fraqueza ou preguiça. De acordo com uma pesquisa da Rádio USP (Universidade de São Paulo), muitos estudantes não buscam tratamento para doenças mentais por medo do preconceito. Por sua vez, sintomas como distúrbios no sono, no apetite e no desempenho escolar, tendem a passar despercebidos, visto que as pessoas ao redor costumam associá-los a um desanimo qualquer ou apenas uma indisposição momentânea. Dessa forma, é notório que desconstruir a visão arcaica das psicopatologias e estimular uma visão mais empática é extremamente necessário.

Ademais, outro fator importante diz respeito à relação que as doenças mentais possuem com outro grave problema da saúde pública: o suicídio. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o suicídio se relaciona com fatores sociais, como estado civil e profissão, logo, a falta de interação social é uma das principais motivações do pensamento suicida. A esse respeito, sabendo que a falta de apoio familiar e o isolamento social são elementos comuns à vivência de indivíduos emocionalmente debilitados, é possível entender como o sentimento de aversão à vida começa a ser desenvolvido. Sendo assim, nota-se que disciplinar a sociedade para que saiba prestar assistência a quem convive com psicopatologias é necessário.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Minitério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promover a realização de campanhas socioeducativas em todas as instituições de ensino do país. Nessas campanhas, estarão inclusos psicólogos, psiquiatras e auxiliares terapêuticos expondo informações relativas às emoções humanas e às doenças mentais, com o objetivo de preparar a população para lidar da melhor forma com essas enfermidades. Dessa maneira, a sociedade entenderá a gravidade do problema e poderá prevenir que características comuns às obras ultrarromânticas façam parte da realidade atual.