A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 30/10/2019

A série “Os Treze Porquês” aborda a triste vida de Hannah Baker, uma adolescente com a saúde mental cruelmente afetada após ter sido alvo de bullying e pressão social, eventos responsáveis pelo seu suicício. Não distante da ficção, a obra televisiva denota aspectos semelhantes ao hodierno contexto brasileiro, haja vista a improcedência de tal perspectiva no que tange ao drama apresentado por pessoas que sofrem de doenças mentais, acometidas não apenas pela negligência de cuidados advindos do Estado, como também por problemas do mundo contemporâneo. Nesse contexto, torna-se fundamental a realização de uma análise acerca de tal problemática que tanto ameaça o desenvolvimento da sociedade.

Primordialmente, salienta-se que a falta de cuidados do Estado perante os cidadãos que apresentam vulnerabilidades mentais é, indubitavelmente, uma das principais causas agravantes da questão. Embora a Constituição Federal garanta que a saúde é direito de todos, assim como deve ser garantida mediante políticas sociais e econômicas, sua aplicação no cenário brasileiro encontra obstáculos no que tange ao âmbito psicológico, haja vista a escassez na disponibilização de tratamentos públicos voltados para a área, como afirma dados do site Folha de São Paulo. Assim, como é sabido que grande parte da população brasileira não dispõe de bons recursos financeiros para frequentar profissionais no cenário privado, tal parte da população fica impossibilitada de tratar da própria saúde mental, que tem por consequência o risco do desenvolvimento de agravantes, como comportamentos suicidas. É inadmissível, nesse contexto, a persistência dessa realidade em solo brasileiro.

Outrossim, a dinamicidade da pressão social no mundo contemporâneo é mais um fator de inegável responsabilidade na transcorrência do impasse. Segundo o filósofo asiático Byung-Chul Han, um grave problema encontrado na atual sociedade convém da cobrança pelo alto desempenho, fruto da Segunda Revolução Industrial, em que o indivíduo transcede de seu caráter humano para que possa agir como uma máquina, exigência requerida pelas atividades diárias, e por seguinte, caso não consiga realizar suas tarefas com efetividade, denota que é exclusivamente culpa do próprio fracasso. Nesse sentido, doenças mentais como ansiedade e depressão se encontram cada vez mais presentes no cotidiano brasileiro, assim como a síndrome de Bournout, ocasionada pelo esgotamento mental, que foi diagnosticado recentemente na famosa cantora Anitta, o que reflete os impactos da agitação cotidiana no cenário psicológico da sociedade. É preciso evitar, desse modo, a persistência dessa anomia na população.