A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 14/10/2019

A Constituição Cidadã de 1988 garante a todos os indivíduos direito à liberdade, segurança e principalmente direito à vida. No entanto, com a ascensão das doenças mentais na sociedade contemporânea, milhares de pessoas sofrem diariamente. Nessa perspectiva, cabe avaliar os principais fatores para o aumento da mazela social das doenças psicológicas. Dessa forma, a falta de solidez nas relações humanas e sociais além da omissão dos órgãos públicos referente aos transtornos mentais da população, tornam o assunto uma necessidade a ser debatida.

É válido ressaltar, inicialmente, que as relações sociais entre os indivíduos estão cada vez mais superficiais e distantes, possibilitando o aumento de doenças relacionadas à depressão e problemas de relacionamento. Neste sentido, o grande filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman já dizia: “vivemos em tempos líquidos, nada é duradouro”, evidenciando a fluidez da sociedade e principalmente as relações instáveis e passageiras que tornam as pessoas doentes. Desta maneira, a falta de solidez causada principalmente pelos meios tecnológicos e virtuais afastam as pessoas de relações afetivas reais, tal fato é mostrado pelo aumento no número de pessoas com doenças mentais, como ansiedade e depressão em nosso país, que expressa uma triste realidade em uma pesquisa recente da OMS (Organização Mundial da Saúde), colocando o Brasil como o país mais depressivo da América Latina.

Ademais, é fundamental perceber a omissão das esferas públicas como um impulsionador dos problemas das doenças mentais no Brasil. De maneira análoga, Paulo Freire, maior sociólogo brasileiro, se manifestava dizendo: “Não é no silêncio que  os homens se fazem, mas no trabalho, na palavra, na ação-reflexão na sociedade”. Deste modo, infelizmente, milhares de cidadãos brasileiros são vítimas do “silêncio” das estâncias governamentais, uma vez que pessoas com doenças mentais são consideradas inferiores e muitas vezes incapazes de serem reinseridas na sociedade, sendo jogadas nas ruas, albergues, asilos e manicômios. Assim sendo, com propriedade, Machado de Assis retratou em seu clássico conto “O Alienista” todas as consequências da insanidade mental de um personagem que sofre com problemas psicológicos e causa muitos problemas para a cidade de Itaguaí.

Logo, é primordial combater toda a negligência social referente às pessoas com doenças mentais. Portanto, é indubitável a atuação do Ministério da Saúde nas escolas, universidade e empresas, por meio de consultas com psicólogos e campanhas de divulgação dos males dos problemas mentais, a fim de que mostre a importância das relações humanas e sociais para a prevenção da depressão, ansiedade e transtornos psicológicos.Por conseguinte, a sociedade de Bauman estará mais próxima.