A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/10/2019

Na obra cinematográfica “Coringa”, Joaquim Phoenix interpreta um jovem deficiente mental que deseja tornar-se um comediante. O filme narra as dificuldades vivenciadas pelo personagem quanto ao abandono governamental em relação a seu atendimento terapêutico e medicamentoso, seu isolamento social provocado pela comunidade e o afloramento de sua psicopatia. Fora da ficção, a necessidade de debater as doenças mentais é de extrema importância e reflete diretamente na objetividade da saúde mental da sociedade brasileira. Neste sentido, o desamparo governamental no oferecimento terapêutico e farmacológico, além da crescente exclusão social de indivíduos portadores de deficiências são desafios indubitáveis de serem analisados , compreendidos e levados em consideração.

Em primeiro lugar, cabe salientar que a carência em serviços públicos que ofereçam ou descontinuem o atendimento psicológico de ação terapêutica, bem como a disponibilização gratuita da medicação necessária a dada enfermidade psicopatológica são fundamentalmente relevantes na gradativa ascensão e desencadeamento de transtornos psicológicos e surtos inerentes aos mecanismos específicos de cada transtorno. A partir desse princípio, Augusto Cury salienta a integral valorização do atendimento e constituição de um modelo público que ofereça todo o apoio farmacológico, além da ação terapêutica de gradativo equilíbrio e estabilidade emocional do indivíduo.

Outrossim, a exclusão social e comunitária a qual a pessoa é inserida pelos indivíduos ao seu redor, ou ainda acaba por automaticamente provocar-se devido ao preconceito pré estabelecido, fragiliza sua cidadania, reforça o sentimento de não pertencimento coletivo e estabelece o agravamento de sofrimentos tendenciosos e vinculados ás particularidades de variações de transtornos mentais como ansiedades, depressões, bipolaridades e esquizofrenias. Assim, o arte educador Renato Di Renzo, interventor no manicômio Anchieta e criador da ONG “Associação Projeto TAM TAM”, expõe o quão importante é a inclusão do deficiente mental na sociedade que o aceite, reconheça e respeite.

Portanto, é imprescindível que o Estado crie medidas que promovam o debate e o atendimento aos indivíduos portadores de deficiências mentais. Com isso, urge que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, respectivamente, desenvolva planos de assistência psicossocial, fornecendo apoio psicológico regular e subsídio farmacológico por meio de unidades de pronto atendimentos municipais e investimentos na profissionalização do agente público, visando a correta e valorosa ação de cuidado do deficiente mental, além da implementação de fóruns, palestras e encontros educacionais por meio das unidades de ensino dos Estados que visem o debate, a integração das diferenças e afastamento de uma sociedade excludente forjadora de outros “Coringas”.