A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 17/10/2019
O sociólogo Émile Durckheim, em um de seus conceitos, afirma que a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos componentes devem viver em harmonia para que seja possível conquistar o bem-estar geral. Contudo, hodiernamente, observa-se que a banalização das psicopatologias, se torna um desafio para efetivação do pressuposto. Isso se deve, principalmente, pelo descaso governamental e, ainda, pela falta de conscientização da sociedade.
Nesse sentido, é elementar que se leve em consideração que de acordo pensamento filosófico de São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática de direito todos possuem o mesmo grau de importância. No entanto, o Estado diverge de tal perspectiva, pela ausência de hospitais especializados em doenças psicológicas e, sobretudo, pela escassez de profissionais para atenderem a necessidade dessas pessoas. Dessa maneira, não é de se espantar que, em 2017, a depressão atingiu 5,8% da população brasileira, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desses dados, observa-se que as doenças mentais que assolam a população não é prioridade dos governantes e rompe com a aplicação constitucional brasileira, que garante o acesso à saúde de qualidade para todos cidadãos.
Outrossim, é importante destacar o papel da mídia em relação à problemática. De acordo com o teórico Pierre Bourdieu, “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”. Nessa lógica, a sociedade é bombardeada diariamente pela mídia de massa, por meio de campanhas e propagandas, com o intuito de forçarem os indivíduos a serem bem sucedidos em todas as áreas da vida pessoal como, por exemplo, no trabalho e no âmbito familiar. Logo, essa postura midiática é altamente nociva, visto que exerce uma pressão muito grande na sociedade a buscar resultado a todo custo e, por conseguinte, acaba resultando no desequilíbrio da psique humana, o que corrobora para consequências irreversíveis com por exemplo, o suicídio. Assim, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que solucionem o problema vigente. Nesse interim, compete às instituições formadoras de opinião, como escolas e mídia de amplo alcance, diminuir a pressão social causada por esse próprios recursos, por meio de palestras, documentários e séries sobre a temática, os quais sejam capazes de explicitar os prejuízos da auto cobrança, com o fito de mitigar as doenças mentais. Além disso, é papel do Ministério da Saúde, a construção de clínicas especializadas nessas enfermidades e contratação de mais profissionais qualificados- por meio da ampliação de verbas destinadas ao Conselho da Saúde- para que todos tenham acesso ao tratamento adequado. Desse modo, realizadas todas essas medidas, o problema poderá ser amenizado.