A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 17/10/2019

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Através desse trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, vê-se que determinado problema se configura como um obstáculo na vida de muitos brasileiros. Nesse contexto, a falta de diálogo sobre as doenças mentais são um desses obstáculos que precisam ser vencidos na sociedade, visto que o preconceito e o individualismo dificultam a vida das pessoas que possuem esse transtorno.

É necessário ressaltar, primeiramente, que a sociedade possui uma visão discriminatória das pessoas que sofrem com problemas mentais devido ao estigma criado em torno das doenças. Já afirmava o filósofo iluminista Voltaire:“preconceito é opinião sem conhecimento”. Dessa forma, por não terem conhecimento sobre o distúrbio e reterem suas visões pautadas sobre conceitos pré-estabelecidos, a população encara o transtorno como sinal de fraqueza, incompetência e até loucura, complicando a vida das pessoas que lidam com a situação, uma vez que os comentários pioram o seu estado, por acreditar no que dizem e não encontrar apoio para superar a psicose.

Deve-se abordar, ainda, que essa situação encontra terra fértil no egocentrismo, dado que a população está cada vez mais centrada em si mesma sem se importar com o outro. Na obra “modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, as pessoas têm dificuldade de se colocar no lugar do outro, porque para que isso aconteça é preciso deixar de olhar apenas para si. Dessarte, essa falta de empatia impede quem possui o distúrbio de conversar com alguém, por medo de não ser compreendida, e procurar ajuda.

Evidencia-se, portanto, que o problema se mostra uma grande pedra a ser removida do caminho para o desenvolvimento. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério da Saúde por meio de campanhas de conscientização nas ruas da cidade, esclareça à população sobre o que são os transtornos mentais, desmistificando as percepções falaciosas já existentes, informando-os sobre a importância de ajudar o outro a tratar-se do transtorno e ,também, da importância de compreender o próximo, objetivando conscientizá-los, eliminar o preconceito e estabelecer mais hospitalidade e empatia com as pessoas e, assim, ajudar quem sofre com as doenças mentais a tratarem-se da psicopatologia.