A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 21/10/2019

O filme Shine, traz em seu enredo a história de David, um pianista que luta pela sua saúde mental. Nesse interim, o protagonista enfrenta a rejeição de seu pai, a busca pela perfeição musical, e ainda, o seu transtorno esquizoafetivo. Não distante da ficção, na realidade brasileira, as pessoas que sofrem com transtornos mentais ainda encontram dificuldade na manutenção de seu bem-estar devido ao estigma enraizado da banalidade das doenças e a disfunção da saúde pública. Portanto, mostra-se a necessidade de medidas concretas para o solucionamento desta problemática.

Primordialmente, vale destacar a maneira trivial que as doenças mentais são discutidas, a qual é baseada em uma linha de raciocínio preconceituosa e inveterada de que essas enfermidades são desprezíveis. Deveras, tal afirmação relaciona-se com a ótica de Maquiavel, em que se diz que o preconceito tem mais raízes do que princípios. Exemplo disso, é o fato de que cerca de 86% dos brasileiros sofram de algum transtorno mental, segundo a Organização Mundia da Saúde (OMS), e a grande maioria não procura por ajuda, seja pela falta de discernimento e autoaceitação, ou ainda, pelo receio dos estereótipo instaurados pela sociedade de que essas pessoas são loucas.

Nessa lógica, destaca-se o pensamento do filósofo Richard Rorty, o qual pontua que se temos uns aos outros não precisamos de mais nada. Sob essa perspectiva, de acordo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 75% a 85% das pessoas não recebem o tratamento adequado às suas respectivas doenças. Por conseguinte, é evidente a negligência governamental, que mesmo com seu poder abarcativo, não oferece a intervenção terapêutica de qualidade e igualitária, e pouco discute e divulga sobre a gravidade dessas enfermidades e a taxa crescente das mesmas em meio aos brasileiros.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas afim de mitigar os impactos causados pelos dilemas da questão da saúde mental dos brasileiros. Logo, o Ministério da Saúde, deve promover campanhas, afim de combater essa lógica preconceituosa existente no imaginário da sociedade, para que as pessoas que sofrem com transtornos mentais passem a aceitarem sua condição e a normalidade da mesma, e ainda, a buscarem por ajuda sem medo de serem taxadas de loucas. Outrossim, esse mesmo Ministério em parceria ao Ministério do Trabalho, ofereçam capacitação de psicólogos e psiquiatras, para que estes possam atender de forma qualitativa e oferecer tratamentos efetivos, com o intuito de melhorar o bem-estar dos pacientes. Só assim, poder-se-á construir um ambiente saudável e coeso a todos os indivíduos.