A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 24/10/2019

No filme “Coringa”, evidencia-se uma sociedade incapaz de lidar com os indivíduos detentores de doenças mentais, de forma a sujeitá-los à condições extremas de negligência e intolerância. Na realidade contemporânea não é diferente, haja vista que o debate sobre esses distúrbios é plenamente ignorado pela sociedade e pelo Estado brasileiro. Por isso, analisar as origens e os efeitos desse impasse é medida que se impõe na atualidade.

Precipuamente, pode-se citar, como proferido pelo político Nicolau Maquiavel, que o preconceito tem raízes mais profundas que os princípios. Sob esta ótica, entende-se que a aversão humana no que concerne às pessoas com transtornos psíquicos é um problema que aflige a sociedade há muito, o que perpetua essa visão discriminatória no cenário coletivo. Para ilustrar, convém expor o filme “Os 12 macacos”, que retrata a forma convencional de se tratar os deficientes mentais: afastá-los da sociedade. Vê-se, no contexto real, a aplicação dessa estratégia nos manicômios, os quais submetem os membros, na maioria das vezes, à isolação social e ao descaso. Por conseguinte, torna-se impossível que os indivíduos mentalmente doentes sejam devidamente tratados e contemplados na esfera social, uma vez que são claramente isolados desta.

Ademais, é ingênuo afirmar que os cidadãos especiais são inteiramente amparados pelo Governo, pois, de acordo com a Constituição de 1988, todo habitante nacional tem o direito a uma vida digna, o que não é observado no cotidiano dos deficientes mencionados. A falta de políticas públicas inclusivas nas instituições sociais (como a Escola) e a precariedade do sistema de saúde corroboram a fragilidade da atuação estatal ante o problema da exclusão desse grupo. Prova disso é que 23 milhões de doentes psicológicos não recebem tratamento adequado no Brasil, conforme a Organização das Nações Unidas, o que esclarece a magnitude da negligência sofrida por esse público. Assim, compreende-se que é papel da governança assegurar a qualidade de vida da população especial.

Dado o exposto, portanto, faz-se necessário discutir e integrar o tema das doenças mentais na coletividade. Para extinguir o supracitado preconceito social, é ideal que o Estado e as emissoras de TV (como a Rede Globo, que atinge um maior público) conscientizem a coletividade sobre a importância de incluir os psicologicamente inabilitados, mediante difusão de propagandas que mostrem o valor desses indivíduos e o descaso vivido por eles. Somado a isso, o Governo deve, ainda, garantir que esse grupo tenha acesso à saúde e educação de qualidade, por meio da contratação de profissionais capacitados nos dois ambientes, com o fito de proporcionar uma vida agradável a esses cidadãos. Assim, será possível desassociar a realidade brasileira do filme “Coringa”.