A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 24/10/2019
O livro o Lado Bom da Vida escrito por Mettew Quick apresenta a história de Pat Peoples, ex interno de uma instituição psiquiátrica devido ao seu diagnostico de transtorno mental de bipolaridade, e a maneira de como ele lidar com o desafio de estar de volta à sociedade. De maneira análoga a ficção, quando se observa a forma no qual a sociedade enxerga as doenças mentais, percebe-se a realidade desse ideário a realidade nacional. Nesse sentido, dois fatores devem ser observados: o dinamismo nas relações de trabalho pós-revolução tecnológica, bem como o despreparo social para lidar com a doença.
Convém citar, a princípio, a visão social da década de 1850 sob as doenças mentais apresentada no livro " O alienista" de Machado de Assis. De acordo com o livro, eram comum pessoas vítimas de transtornos mentais serem reconhecidas como lunáticas, lelés, dementes e, principalmente, possuídas por espíritos malignos. Nesse contexto, o preconceito social, herdado dos séculos passados, evidencia-se como um fator dificultador ao tratamento. Isto é, devido ao preconceito, as informações a respeitos de tais transtornos tornam-se de pouco acesso à população, em consequência, muitas doentes mentais desconhecem seu diagnóstico e então não se submetem a um tratamento adequado. Não obstante que tais enfermidades ocupam posições de destaque no ranking das doenças que mais atingem a população mundial.
Cabe perceber, outrossim, a falta de solidez nas relações como território fértil ao desenvolvimento das doenças da mente. Segundo o pensamento de “modernidade líquida” proposto pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no contexto da pós-modernidade as relações interpessoais vem progressivamente tornando-se mais impessoais e apáticas. A luz dessa teoria, percebe-se uma individuação extrema, na qual todas as demandas estão alinhadas a prerrogativas de direitos mais pontuais, e menos em relação às causas mais comuns, resultando, com isso, o desenvolvimento de muitos distúrbios como por exemplo o de ansiedade generalizada e de pânico.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de intervir na realidade de intensificação das doenças mentais. Logo, a priori, cabe as instituições midiáticas a desmistificação do preconceito posto ao doente mental. Sendo funcionais postagens nas redes sociais de depoimentos de pessoas afetadas, assim como a criação de seriados e filmes que “normalizem” personagens com transtornos, fugindo dos esteriótipos pejorativos, a fim de extinguir a visão social descrita no livro " o alienista". A posteriori, compete a família, tornar costumeiro o diálogo, repassando o interesse no bem estar do outro na formação dos menores. Então reduzir essa realidade que ameaça a saúde pública mundial.