A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 24/10/2019
Segundo Jacques Bossuet, “a saúde depende mais da prevenção do que do tratamento”. Entretanto, essa frase não se relaciona ao Brasil contemporâneo, uma vez que estigmas sobre as doenças mentais, sustentados pela sociedade e pela própria vítima, dificultam o tratamento dessas. Com isso, cabe analisar com maior amplitude as consequências desse agravante problema.
A priori, ressalta-se que a falta de comunicação entre os doentes psicológicos e a comunidade é um grande empecilho. De acordo com o Ibope Conect, aproximadamente 40% dos jovens, de 13 a 17 anos, não conversariam abertamente sobre a depressão com seus familiares. Com isso, a população não é capaz de identificar as doenças e ajudar o debilitado. Soma-se a esse impasse, o descaso das pessoas em reconhecer os casos de depressão, uma vez que, por falta de conhecimento, ignoram os sintomas dessas patologias (como afastamento social, tristeza e desânimo) e não oferecem ajuda ao necessitado. Fator esse, comprovado pelo médico Dráuzio Varella, o qual revela na série “Não está tudo bem, mas vai ficar”, que essa negligência em diagnosticar doenças mentais é preocupante.
Por conseguinte, no Brasil, conforme o G1, os casos de suicídio aumentaram em 7%, nos últimos seis anos. Esse dado evidencia a magnitude das doenças psicológicas nos jovens brasileiros, uma vez que esses não encontram outro meio de revertê-las. Para ilustrar tal desespero, o filme americano “Um grito de socorro” narra a história de Jochem, um adolescente que, por conta de transtornos mentais, acaba por tirar sua vida. E, pautado na frase do filósofo Mario Sérgio Cortella, “o suicídio é uma solução definitiva para um problema temporário”, compreende-se que os citados distúrbios não só podem como devem ser minimizados no país.
Diante desses fatos, portanto, urge medidas que proporcionem um aumento nos debates referidos à doenças mentais. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com emissoras televisivas (pois atingem um grande contingente de pessoas), o incentivo à população, mediante palestras ofertadas por psicólogos, de identificar os casos de depressão, com o fito de que os enfermos encontrem a ajuda necessária para reverter seu estado mental. Ademais, o mesmo Ministério deve reforçar a ação do “Setembro Amarelo”, mês destinado à prevenção do suicídio, por meio de outdoor’s e panfletos, para que estimule os doentes a procurarem ajuda profissional e não cometerem a ação. Com essas prevenções, o Brasil fará jus a frase de Bossuet e não mais enfrentará as consequências das doenças mentais no século XXI.