A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 25/10/2019

Segundo o filósofo polonês Bauman, a sociedade vive em tempos líquidos denunciando o imediatismo e fluidez das relações humanas. De fato, o excessivo fluxo de informação e estímulos do capitalismo geram um desgaste na saúde mental do indivíduo e, consequentemente transtornos. Dessa forma, é indispensável o debate das doenças mentais, entretanto, possui entraves de âmbito social e educacional que precisam ser repensados.

Primeiramente, deve-se ressaltar a banalização de tal patologia. O pensador francês, Bourdieu, afirma que violência simbólica é como a opressão moral e psicológica é imposta. Tal conceito, é explícito na sociedade por meio dos esteriótipos criticados em torno de males como a depressão sendo classificada como crises passageiras ou frescura. Diante disso, as vítimas deixam de procurar tratamento adequado, em virtude da pressão social preconceituosa vigente na sociedade.

Outro fator é a falha do modelo de ensino. Em sua essência, o sistema preza que o aluno assimile vários conteúdos e reproduza em resultados expressivos. Sob essa perspectiva, o ambiente de tensão provocado pela concorrência em um vestibular, permanência na faculdade e busca em atende as demandas sociais afetam o psicológico do individuo. Pode-se citar como exemplo, a onda de suicídio no quarto ano de medicina na Universidade de São Paulo em 2017, com a morte de quatro alunos em dois meses.

Portanto, a nação tem um quadro crítico que precisa ser revestido. Logo, o Ministério da Saúde junto com as mídias sociais  devem criar campanhas para desconstruir o preconceito em torno das doenças mentais, melhorando a tolerância  social e incentivar pessoas com sintomas a busca de ajuda profissional. Também, o Ministério da Educação deve criar espaços, nas escolas e universidades, para diálogo sobre a saúde mental dos estudantes, amparando seus limites psicológicos. Desse modo, teremos no Brasil uma sociedade mais empatica.