A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 25/10/2019
Em vários países os movimentos sociais foram importantes na conquista de direitos e no Brasil não poderia ser diferente. No que tange a saúde, a participação popular teve suma importância, levando a crianção do Sistema Único de Saúde em 1990. Contudo, notou-se que o âmbito da Saúde Mental era não só negligenciado mas também velado, fato esse que serviu como gatilho para o processo de Reforma Psiquiátrica, uma nova forma de debater as doenças mentais e desmistifica-las, causadas em função da defasagem científica e da exclusão social.
A priori, os transtornos mentais eram tratados de maneira generalizada e com descaso. Com o avanço tecnológico e o surgimento de estudos houve o desejo de descobrir causas para essas doenças silenciosas, porém incapacitantes. Além disso, merece destaque as pesquisas farmacológicas o que propiciou o acesso ao tratamento medicamentoso. Mesmo assim, todavia cerca de 75% a 85% da população diagnosticada não possui tratamento adequado.
Ademais, as desordens mentais trazem consigo uma história de exclusão social e preconceito. O documentário “O Holocausto Brasileiro” retrata o cotidiano do maior hospital psiquiátrico do Brasil, neste várias cenas são semelhantes aos campos de concentração nazistas. Os pacientes que eram internados em instituições totais passavam grande parte da vida no serviço de saúde, convivendo com superlotação, falta de insumos e a total exclusão e abandono do Estado e da própria família.
Diante do exposto fica evidente a necessidade de debater a respeito das doenças mentais. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde aliado a profissionais especialistas da área, elaborem uma série de materiais, como folder e cartilhas, esclarecendo dúvidas e ressaltando a importância de conversar sobre a doença mental, principalmente nas escolas, tendo em vista que 400 milhões de pessoas no mundo possuem algum transtorno, a fim de que haja uma redução no percentual de indivíduos tratados erroneamente.