A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 26/10/2019
Durante a Segunda Guerra Mundial, o mundo foi palco de um evento que marcou negativamente a humanidade: o Holocausto. Esse acontecimento ficou conhecido pela morte de milhares de judeus, porém os doentes mentais também foram um dos alvos, pois eles eram classificados como anormais pelo Governo Nazista. Hoje, percebe-se que houve mudanças a respeito do modo de como lidar com essas pessoas, contudo, é muito importante a discussão sobre a saúde mental dos indivíduos, uma vez que o contexto atua é marcado pelo desenvolvimento de anomalias mentais e também porque há muitos estigmas envolvidos nesse tema.
Em primeira análise, é importante esclarecer que as sociedades passaram por inúmeras transformações e o contexto histórico de cada uma é um fator muito importante para traçar o comportamento da população. Com base nisso e no conceito de “Modernidade Líquida”, proposto pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman, o qual propõe que a humanidade está vivendo um momento de instabilidade que reflete diretamente na vida dos indivíduos, deixando-os vulneráveis ao desenvolvimento de distúrbios mentais. A exemplo disso, é possível citar a recente “Síndrome de Burnout” que é classificada como uma doença da mente causada pela rotina exaustiva e pelo trabalho intenso; em suma, isso prova que a modernidade tem o poder de interferência na sanidade individual.
Em segunda análise, faz-se necessário dizer que, diferente das problemas físicos, as doenças mentais são enxergadas pela sociedade sob um viés negativo, dificultando a aceitação do problema e a busca por tratamento. Além disso, consoante o pensamento do filósofo francês Michel Foucault, o conceito de loucura é fruto de uma construção social e aquele que não se encaixa na linha de pensamento estabelecida pela sociedade, acaba sendo taxado como louco. Levando isso em consideração, é notório que os indivíduos repassam conceitos já estabelecidos, como fora colocado por Foucault, e não procuram se informar, o que desencadeia na transmissão de informações errôneas que desestimulam e impedem os doentes de se tratarem.
Portanto, tal como fora explicitado, os distúrbios mentais tem uma relação direta com a modernidade e enfrenta estigmas sociais, fazendo-se necessária a adoção de medidas que resolvam o impasse. Sendo assim, o Governo Federal deve aumentar a verba direcionada ao Ministério da Saúde para que este trabalhe na desconstrução dos preconceitos enraizados e alerte a população, medidas que devem ser feitas por meio da promoção de debates nos postos de saúde dos municípios. Com a instauração desses eventos, cujo público alvo são as comunidades locais, será possível instruir as pessoas para que elas estejam preparadas para lidar com os transtornos mentais de forma correta.