A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 25/10/2019
Na contemporaneidade um dos grandes tabus que permeia a sociedade brasileira é a problemática em torno da importância de debater sobre as doenças mentais. Esse fato reproduz uma realidade distorcida, daquilo que é desconhecido, a falta de informações leva ao preconceito. Desse modo, esse é um dos desafios que deve ser visto como uma questão de saúde pública, para garantir respeito aos indivíduos, tratamento de qualidade e inclusão social.
Primeiramente, as doenças mentais são um tema muito relevante, entretanto, de extrema invisibilidade, tanto pela precariedade de políticas públicas, quanto pela grande mídia e sociedade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a depressão cresce no mundo, o Brasil tem a maior prevalência da América Latina de 5,8%. Esses dados mostram a importância de uma abordagem mais enérgica e séria sobre a temática, uma vez que a difusão do conhecimento e discussão sobre o assunto reduzirá preconceito e sofrimento psicossocial. Além disso, quando há compreensão das patologias é possível quebrar tabus, integrar e incluir de forma humanitária e igualitária esses indivíduos na coletividade.
Outrossim, um fator histórico e cultural que contribui para instigar a psicofobia (preconceito contra as pessoas que têm transtornos e deficiências mentais) é o manicômio, que representa a exclusão, o controle e a violência. Mesmo com vertentes científicas que condenam esse lugar de sofrimento, ele continua existindo e associado a escassez de investimento em infraestrutura e profissionais especializados. Essa permanência gera mais danos aos indivíduos, uma vez que o diagnóstico e o acompanhamento correto acabam sendo atrasados, podendo levar a morte do indivíduo.
Portanto, a fim de conscientizar quanto ao cerceamento da estigmatização é de suma valia propor discussões sobre o tema em espaços públicos e quando possível televisionado com o objetivo de alcançar um maior número de pessoas e com isso fomentar a necessidade de maiores investimentos estatais por meio do Ministério da Saúde com a finalidade de oferecer maior qualidade em todo o processo de assistência que envolve a saúde mental. Sendo assim, cabem aos gestores em educação e saúde, criarem projetos que visem maiores informações com a finalidade de reduzir os preconceitos associados aos diagnósticos psíquicos, englobando toda a população. Ademais, investimentos em concursos para aumentar o número de profissionais especializados e preparados para o enfrentamento do problema no serviço público de saúde, haja vista que a partir de locais e pessoas que garantam o tratamento adequado ao indivíduo, será possível ter uma vida digna, na qual sejam respeitados seus limites e suas diferenças.