A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 27/10/2019
Na obra “O Alienista”, Machado de Assis apresenta o personagem Simão Bacamarte, médico que estudava e aplicava métodos radicais para o tratamento de doenças mentais no século XIX. Para isso, isolava pessoas que ele considerava ter anomalias e tratava-as, porém percebeu que toda a população apresentava esses sintomas, exceto ele. Então concluiu que todos eram normais e ele, louco. A pesar de ser uma uma obra realista com tons de humor, essa trás uma reflexão importante: qual fator distingue indivíduos sãs?. Fato necessário para desenvolver ferramentas a fim de combater as doenças mentais que estão presentes no cotidiano da nação brasileira.
O ponto de partida é dado por uma análise histórica. No início do século XX, as pessoas que possuíam desvios psíquicos eram segregadas da sociedade e encaminhadas para a cidade de Barbacena/MG e lá recebiam tratamentos desumanos. Isso gerou um estima nacional, resultando em preconceito e tabu. A partir da redemocratização do Brasil, no de 1988, um novo cenário para o tratamento surgiu, leis federais estipularam um time multidisciplinar de profissionais para dar suporte a população. Entretanto, há pouca disponibilidade desses profissionais nos postos de saúde e gera grandes filas. Essa ocorrência desestimula pessoas a buscarem tratamentos no serviço público de saúde. Principalmente os indivíduos mais desfavorecidos, residentes em regiões periféricas.
Ademais, deve-se ressaltar que essa doença afeta a sociedade de forma árdua, prejudicando a vida e a integridade física e moral. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse é décimo motivo que mais afasta brasileiros de seu posto de trabalho, por consequência, afetando não somente a qualidade de vida, como também, a economia. Observa-se, também, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta sobre a tendência de indivíduos que não procuram tratamento médico a buscar refúgios no uso de bebidas alcoólicas e substâncias químicas. A soma desses fatores intensifica o problema que cresce diariamente. Assim, políticas públicas de consciencização são indispensáveis para a integração dessas pessoas à buscarem apoio profissional.
Diante do exposto, é notório que as doenças mentais tem origens diversas e medidas multidisciplinares são necessárias para atenuar esse problema. Assim, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em conjunto com os Estados e Municípios, crie novos postos de saúde, principalmente em áreas periféricas, e além do mais, aumente a contratação de profissionais qualificados. Essa aplicação será possível através da destinação de parte da arrecadação tributária nacional à saúde mental, para que a população seja atendida de forma rápida, eficiente e igualitária. Assim, dando alternativas de tratamento e oportunidade para os doentes terem o gozo pleno da vida.